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Quando as luzes se apagam no governo…

O governo Temer não tem legitimidade para vender estatais

O cafezinho frio e a dificuldade de se lembrar do nome do “famoso quem” que assumiu aquele ministério na Esplanada são os menores problemas num governo que acaba. O maior e mais perigoso deles – sobretudo em governos impopulares que, sabidamente, não vão eleger o sucessor – é a movimentação, no apagar das luzes, dos que estão prestes a sair, mas ainda detém considerável fatia de poder na administração pública. É aí que mora o perigo.

O mundo quase caiu na cabeça do ministro do STF Ricardo Lewandowski quando ele, há duas semanas, tirou do bolso uma liminar proibindo o governo de privatizar estatais sem prévia autorização do Congresso, atendendo à ação impetrada por associações de trabalhadores contrárias à venda de empresas públicas.

É bem provável que, futuramente, essa cautelar venha a ser revogada pelo plenário do Supremo. Nesse momento, porém, veio a calhar – e pode inviabilizar, por exemplo, a venda da Eletrobrás agora. Mesmo setores amplamente favoráveis às privatizações, representados por candidatos diversos à presidência, respiram com certo alívio. Por quê?

Porque todo mundo sabe que o governo do MDB de Michel Temer, a menos de seis meses do fim e acossado por múltiplas denúncias, não tem legitimidade para vender estatal nenhuma a esta altura do campeonato. A pressa demonstrada pelo Planalto na aprovação de novas regras para o sistema elétrico, assim como para a Petrobras e para a comercialização do pré-sal, são sinais inequívocos  de um grande perigo. Lá vem a xepa das estatais, e o MDB é quem está vendendo. Não é preciso dizer mais nada.

Que fique claro: não estamos discutindo aqui as vantagens ou desvantagens da privatização. Se a maioria do eleitorado brasileiro escolher em outubro um presidente com programa privatista, concordando com os argumentos que ele apresentará na campanha de que, por A + B, é preciso fazê-lo, que se vendam as estatais.

O vendedor terá legitimidade para isso, num processo em que tem que ficar claro quem vai vender, quando, por quanto e para quem. Não na bacia das almas, e nem na penumbra de um governo em que, no apagar das luzes, obviamente haverá alguém querendo se dar bem…

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