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Poema singelo

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira - 11 set 2019, 12h01

Hoje ele acordou com algumas lágrimas
escorrendo pelo seu rosto, suaves e
dolorosos pingos d’água,
o coração gemia de apertos mil.

A rua da ladeira da igreja,
o pequeno cavalo amarrado no muro de sua casa
o sol ardia e eles estonteados, na sombra,
olhos nos olhos, o amor era juvenil.

Seus pequenos dedos entrelaçados aos seus,
O corpo tremia, as artérias se contraiam,
a fina dor no ventre era um espasmo do Cupido
já lhe afligia a hora da partida!

Um dia ela foi embora,
Ele ficou a imaginar o afeto das mãos dela
nas mãos de outrem.
A perda de um amor é perda do outro?
[ou perda de si mesmo?]

A vida é cheia de lutos, perdas.
A vida é preenchida de substitutos, novos vínculos.
A vida é assim: é feita de amores e dores.
As lágrimas contêm pesares e alegrias.
[singela e traumática é vida]

 

Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association  

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