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País segue andando sem Bebianno: a hora e a vez dos tucanos na Lava Jato

PSDB em apuros

Por Vitor Hugo Atualizado em 30 jul 2020, 19h57 - Publicado em 23 fev 2019, 11h00

Acordo, – na terça-feira, 19 de fevereiro, dia seguinte ao descarregamento de Gustavo Bebianno, do primeiro escalão do governo, – entre áudios, raios e tempestades internas e marolas externas de todo lado. E logo constato que o País e o mundo seguem andando, entre trancos e barrancos habituais, como no tango famoso de Gardel. Bem ao contrário do que muitos imaginavam, intimamente, e alguns até vaticinavam com ardor mal disfarçado. “Toca o carro para a Lapinha”, como dizem os soteropolitanos, e vamos aos fatos.

Verifico, de saída, por exemplo: o ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro, reunido com o presidente da República, Jaír Bolsonaro, cuidando dos arremates do projeto de combate à corrupção, ao crime organizado e à violência, levado em seguida às mãos do presidenta da Câmara , Rodrigo Maia. Enquanto isso, na 60 ª fase da Operação Lava Jato, sugestivamente batizada de “Ad Infinitum”, agentes da Polícia Federal batiam à porta do operador financeiro do PSDB, Paulo Vieira de Souza, de codinome Paulo Preto, às vésperas de festejar 70 anos e, pela idade, se livrar de boa parte das acusações e penas prováveis. )A PF fez batida, também, no endereço do ex-senador e ex-chanceler Aloíysio Nunes Filho, e o mundo parece desabar sobre a cabeça dos tucanos.

Os federais prenderam (pela terceira vez), o ex-diretor da Empresa Paulista de Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) e cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em pontos ligados ao operador dos malfeitos do tucanato. Um deles, o apartamento onde Paulo Preto colocava para “tomar sol” a grana alta da propina (R$ 100 milhões), para evitar bolor nas cédulas.Gente fina é outra coisa!. No esconderijo havia o dobro da dinheirama estocada em caixas de papelão no “bunker” do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador.

Planejados ou por mera coincidência, é preciso reconhecer: estes fatos da semana colocam no chinelo a “crise” do caso Bebiano. São dignos dos melhores dias da atuação do juiz Moro, à frente do mais exemplar combate à corruptos e corruptores de colarinho branco, de que se tem notícia por estas bandas do lado de baixo do Equador. Agora, no posto de ministro da Justiça e da Segurança, Moro está no front de outra batalha tão dura e pesada quanto necessária e urgente, no sentir da sociedade encurralada pelo crime organizado e pela violência. No entanto, há sinais – explícitos ou submersos – de que adversários se levantam contra ele. Com mais virulência, ou de forma ainda mais insidiosa do que fizeram contra o magistrado da Lava Jato.

No dia seguinte ao desembarque de Bebiano ( que os vídeos desnudam como reles bajulador do “capitão” a serviço de intrigas e armações), o presidente da República foi pessoalmente à Câmara, entregar a esperada cereja do bolo desta semana: o pacote de Reforma da Previdência, que preenche os espaços de informação e debates..

Um dia depois da entrega do projeto anticrime, ao Congresso Nacional, o ministro Sérgio Moro desembarcou em Paris. Foi participar da cúpula do Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (GAFI), que reúne representações técnicas e autoridades de 26 países. Tudo indica que vem chumbo grosso por aí, e corruptos e chefes do crime organizado não devem esperar moleza nos próximos dias. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br 

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