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O voto pelo avesso

A democracia brasileira tem vergado sob o peso da corrupção

Por Gustavo Krause Atualizado em 30 jul 2020, 20h20 - Publicado em 16 set 2018, 16h00

A democracia, ensina a experiência histórica, verga, verga e..quebra.

Foi assim, quando o totalitarismo nazifascista, por pouco, não jogou a democracia no abismo apocalíptico. Dos escombros da II Guerra Mundial, emergiu a guerra-fria, muito quente: no mundo bipolar, potências ocidentais lideradas pelo EUA e o Império Soviético travaram uma luta, desde o campo simbólico da propaganda política ao conflito bélico em áreas consideradas estratégicas na luta pela hegemonia geopolítica. Inspirada no velho axioma “se queres a paz prepara a guerra”, a corrida armamentista quase destruiu a humanidade numa tresloucada batalha nuclear.

Com a Revolução dos Cravos, em Portugal (1974), teve início a terceira onda democrática frente aos regimes autoritários (Huntington, de 1828 a 1974, identificou três ondas de democratização e duas ondas reversas). Com a queda do Império Soviético houve quem identificasse na prevalência liberdade política, assegurada pela democracia, e a liberdade econômica assegurada pela economia e mercado, o fim da história, tese sustentada por Francis Fukuyama no livro O Fim da História e o Último Homem, retomando a tradição da teoria hegeliana e que causou um furor ideológico em que não leu e não gostou da tese.

De fato, a democracia política parece fadada a não ter sossego. No mundo contemporâneo, os politólogos têm alertado para as ameaças reais que pairam sobre o regime democrático. Como já referi em artigo anterior, o risco de morte da democracia não está em tanques na rua, mas no veredicto das urnas. Recentes episódios reforçam as possibilidades de êxito dos personagens autocráticos. Disfarçados de democratas, vão impondo métodos e personalidades tirânicas.

No nosso país, cabe a carapuça. A democracia brasileira tem vergado sob o peso da corrupção, da disfuncionalidade do sistema político-institucional, do ambiente de intolerância e, de tensões sociais que, no limite, se manifestam em agressões.

Com efeito, o atentado a Bolsonaro é um sintoma que, nos últimos anos, revela a enfermidade social da violência cometida em pensamentos, palavras e obras pela radicalização ideológica.

Cabe refletir sobre os desdobramentos do processo conflituoso. Não é uma conta perde/ganha com vitimizações. Perdem o eleitor e o Brasil que, como bem disse Elio Gaspari (Folha, edição de 09/9/18), correm “o risco de se eleger um ´não´”, alertando: “preferência é uma coisa, exclusão é outra. O voto de exclusão supera o de preferência, consegue-se barrar aquilo que não se quer, mas não se elege um presidente”.

Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda 

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