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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Ó, São Francisco! Lula, Bolsonaro, Ciro, Marinho (e Centrão)

Palanque a “donos do poder”

Por Vitor Hugo Soares - Atualizado em 30 jul 2020, 18h50 - Publicado em 4 jul 2020, 10h00

Na escuridão da madrugada em Salvador, rádio de pilha ligado, fone no ouvido, em ondas médias na insônia da noite de fim de junho do ano da pandemia Covod-19, vou parar na Rádio Jornal do Comércio de Recife – onde Pernambuco segue “falando para o mundo”. Começa, pouco depois das três, o “Passando a Limpo”: programa jornalístico de notícias e análises sobre temas variados e relevantes da ordem do dia, ancorado e mediado por Geraldo Freire, que cresce nas pesquisas também em audiência e prestígio nacional a cada nova edição. A exemplo desta que escuto, na antevéspera da visita do presidente Jair Bolso naro a Jati, sertão cearense, para abrir mais uma torneira do faraônico projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, em ato organizado pelo marketing oficial com participação mais que ativa dos novos e notórios aliados do Centrão: Siga o dinheiro, Olho neles, penso!.

Sintonizo “no Programa do Geraldo” (que, no dizer dos nordestinos, de Sergipe para cima, que ferve na madrugada), três dias antes do mandatário do Planalto descer na área. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, acabara de chegar em Petrolina (PE), à frente de “comitiva técnica e política que antecede a visita presidencial”. Repete-se o mesmo ritual, de mais de 15 anos, em tempo de eleições, a exemplo das que se aproximam nos mais de 5 mil municípios brasileiros. Marinho é o entrevistado especial para falar da mega obra, bolada pelo imperador D. Pedro II, e execução levada a muque e lubrificada com muita grana pública, pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Inicialmente orçada em R$ 4 bilhões, já engoliu mais de R$ 12 bi até aqui (e a turma do Centrão quer mais). Serviu de palanque a “donos do poder” de esquerda (Lula e Dilma), de centro (Temer) e agora à direita (Bolsonaro).

“Passando a Limpo” é um programa raro, no cenário atual do radio jornalismo brasileiro. Capaz de, na mesma edição, abrir espaço valioso de informação e opinião e ainda entrevistar, com inteligência, elegância e bom humor, uma colunista política de destaque nacional, tirar da cama um general de alto coturno, em Brasília, e ainda conversar com ilustrada e bem humorada (a exemplo do âncora) pesquisadora da Embrapa, sobre a nuvem de gafanhotos, – famintos como políticos do Centrão, – que atacam fazendas no Paraguai, e que ameaçam invadir o Uruguai e o Sul do Brasil.

Geraldo e sua afiada equipe conversam com o ministro Marinho (espécie de Ciro Gomes, da atual gestão.Mais sóbrio, nítido e manso nas palavras que o desbocado ex-auxiliar de Lula. Não desligo, afinal, nasci em uma cidadezinha baiana a seis quilômetros rio abaixo, de canoa, da pernambucana Cabrobó, marco zero das obras de transposição. Tudo o que diz respeito ao rio me interessa. A exemplo desta visita presidencial.

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“Sem a participação de governadores, prefeitos e senadores nordestinos, Bolsonaro inaugurou na manhã de sexta-feira (26) etapa do eixo norte.Depois de observar a água correr pelo canal, o presidente desceu do carro em que estava, tirou a máscara, posou para fotos e cumprimentou apoiadores que o chamavam de mito”, relata o UOL. Depois pegou o avião de volta a Brasília, deixando o resto da festa por conta das turmas do marketing e do Centrão.Antes do ponto final, um viva ao jornalístico “Passando a Limpo” e ao seu criador, Geraldo Feire, além da Radio Jornal do Comércio da minha infância e sempre.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br.

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