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O peso da camisa nas eleições de outubro

A ameaça que pesa sobre as três mais antigas

Por Ricardo Noblat 2 jul 2018, 08h00

Na política como no futebol certas camisas pesam, e as outras importam menos. A do PMDB, a mais antiga, só uma vez favoreceu de modo avassalador os que a vestiam. Foi em 1986 quando o partido, no embalo do Plano Cruzado que congelara preços e salários, elegeu 22 governadores em 23. Em 1989, na primeira eleição presidencial depois de 21 anos de ditadura, o candidato do PMDB colheu insignificantes 4,7% dos votos.

Uma única vez mais o PMDB disputou com candidato próprio a presidência da República, e perdeu feio. Limita-se desde então a vender seu tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão a quem pagar mais caro e, adiante, seu apoio a quem queira governar. Este ano, finge estar disposto a concorrer com a candidatura de Henrique Meirelles. Irá rifá-la para sair rodando a bolsa por aí e amigar-se com várias ao mesmo tempo.

Foi de uma costela do PMDB que nasceu o PSDB. Mas não foram os méritos do PSDB que o levaram a governar o país por oito anos seguidos. Deve-se isso ao Plano Real, bancado pelo presidente Itamar Franco, que domou a inflação e distribuiu renda. O Real elegeu e reelegeu Fernando Henrique Cardoso. Ao desvalorizar-se diante do dólar, em 2002 ajudou a eleger Lula que amargava três derrotas consecutivas a presidente.

O peso da camisa do PSDB garantiu-lhe apenas a posição de “sparing” favorito do PT nos últimos 14 anos. Neste, o PSDB está ameaçado de ficar de fora do ringue do segundo turno da sucessão presidencial. Seu candidato tem como referência o fato de ter nascido em Pindamonhangaba e governado São Paulo quatro vezes. Nada contra a cidade e o Estado. O problema de Alckmin é que ele é um candidato analógico.

Como parece destinado a voar com a desenvoltura e elegância das galinhas, não encontra quem queira lhe fazer par. A três meses das eleições, a não ser que desista delas, está condenado a ir até o fim, para a glória improvável ou a derrota previsível. O PSDB não pariu ninguém capaz de substitui-lo a essa altura. O candidato natural do partido foi soterrado pela ganância e falta de escrúpulos. Quem não tem tu, vai tu mesmo, portanto.

Onde se perdeu a camisa, aí é que se procura. A do PT desbotou depois de 38 anos de uso, a parte mais recente deles de mau uso. A lama que jorrou dos dutos da Petrobras deixou o PT ante dois caminhos: reinventar-se, o que passaria pela admissão dos seus erros, ou manter-se como era. A prisão de Lula e o aborto de sua candidatura adiou a reinvenção, será que um dia ela virá. O PT irá às urnas com o discurso e a postura de sempre.

O substituto de Lula, a ser lançado na undécima hora, dirá: “Eu sou Lula”. E o algoz do PT dirá do fundo do cárcere: “Eu sou ele”. Pouco tempo haverá para que o truque encante quem se quiser deixar encantar. Além de velha, desbotada e pesada, a camisa do PT tem tudo para despedir-se esfarrapada de uma competição de curta distância como será a de outubro próximo. Foi assim nas eleições municipais há dois anos.

PT/Reprodução
PMDB/Reprodução
PSDB/Divulgação
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