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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O maior desafio do general Hamilton Mourão

O governo que nunca ligou para o meio ambiente promete ligar

Por Ricardo Noblat - Atualizado em 16 jul 2020, 09h35 - Publicado em 16 jul 2020, 09h00

Tudo indica, como o próprio general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, admitiu um dia desses, que até o final do próximo ano tudo não passará de “uma conversa de bêbados” – o governo brasileiro a prometer reduzir o desmatamento da Amazônia, os governos europeus a duvidarem disso.

Mourão é bom de gogó como tem demonstrado desde que, como general da reserva, decidiu ingressar na política. Filiou-se a um partido nanico. Imaginou que poderia ser candidato a presidente em 2018. Na véspera da convenção do PSL que indicaria Jair Bolsonaro como candidato, Mourão aceitou ser vice dele.

Nos primeiros 18 meses de governo, Mourão já esteve por cima e por baixo, a variar de acordo com as idiossincrasias do presidente e dos seus filhos. Está outra vez por cima depois que Bolsonaro escolheu-o para enfrentar o desafio de preservar a Amazônia e restabelecer relações com o que se preocupam com ela.

Por ora, faz bem feita sua parte na conversa de bêbados. Fala tudo o que o outro lado quer ouvir, valoriza a tarefa que tem pela frente, mas por enquanto fica nisso só. Não define metas, talvez porque ainda não saiba quais seriam. Não diz como elas serão atingidas e em que prazo. Vai levando as coisas no gogó.

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Como convencer seus interlocutores de que o governo que pouco ligou para o meio ambiente se dispõe, doravante, a conceder-lhe uma atenção especial? O governo que acelerou o processo de destruição da floresta será o mesmo que irá detê-lo? E como ficará nessa história o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles?

Talkey, Salles é irrelevante. Sua cabeça poderá ser servida em uma bandeja de alumínio a governos e investidores internacionais que assistem aterrorizados à devastação da maior floresta nativa do mundo. Mas, e Bolsonaro? Ele romperá seus compromissos com garimpeiros, grileiros, pecuaristas que o apoiam tão fortemente?

Não só com eles, os que mais se beneficiam com o que ocorre na Amazônia. Bolsonaro deixará de ser o que foi até aqui, o presidente que mais agride o meio ambiente com palavras, gestos e atos? A cabeça de Bolsonaro foi formada na época em que a ditadura militar passou tratores na floresta para construir o Brasil Grande.

Bolsonaro irá se reinventar? Mourão, de fato, acredita nisso? Não que seja obrigado a acreditar. Se não conseguir fazer seu trabalho, a culpa não será dele.

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