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O inimigo veste batina

Governo quer evitar críticas à política para a Amazônia

Por José Casado

 

Augusto Heleno Ribeiro Pereira tem precedência hierárquica na curadoria militar do governo Jair Bolsonaro. É da tradição dos quartéis, onde viveu 45 dos seus 71 anos de idade — a última dúzia como general.

A ascendência sobre Bolsonaro tem origem na dedicação do treinador Academia das Agulhas Negras, que ajudou o cadete Cavalão a se destacar em pentatlo moderno. A gratidão veio com a chefia do Gabinete de Segurança Institucional.

Desde que experimentou um biênio no Comando Militar da Amazônia (2007-2009), com 17 mil soldados em quatro brigadas de infantaria de selva, Ribeiro Pereira — mais conhecido como Augusto Heleno—, enxerga um potencial de “teatro de operações” em metade do mapa do Brasil, por ausência do Estado.

Na últimas década recitou em auditórios os clássicos da catequese sobre a “cobiça internacional” pela Amazônia, além de listar equações diplomáticas nos 11 mil km da fronteira Norte com chance de “descambar para uma situação bélica”.

Agora, como disse à repórter Tânia Monteiro, mobiliza o governo para “neutralizar” o Vaticano, que programou para outubro o Sínodo da Amazônia, com batinas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Antilhas. Faltou o chefe do GSI definir “neutralizar”.

Argumenta com possíveis críticas do Vaticano à política para a Amazônia. Seria impossível, porque, se existe, até hoje ninguém viu — como o projeto de reforma da Previdência.

Ele se queixa de que “há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta”. Tem razão. Entidades civis proliferam no vácuo estatal. A história da Igreja Católica é mais antiga.

Ribeiro Pereira talvez tenha esquecido, mas Brasil é assunto em Roma desde meio século antes do “descobrimento”. Caminha registrou o “achamento”, a missa e a ordem do capitão Cabral para deixar na praia de Santa Cruz (BA) um par de colonos. Um deles se chamava Ribeiro.

* Quem, algum dia, desfrutou do prazer de conviver com Ricardo Boechat, aprendeu algo sobre o significado da palavra “liberdade”.

 

(Transcrito de O Globo)

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  1. antonio santos

    * Quem, algum dia, desfrutou do prazer de conviver com Ricardo Boechat, aprendeu algo sobre o significado da palavra “liberdade”. Isso deveria também explicar o porque não precisamos da tutela dos Bispos do Vaticano!

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  2. Nelson Sarinho

    Vejam só, a multinacional Vaticano está fortemente infiltrada na Imprensa.

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