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Morra quem morrer (por Mirian Guaraciaba)

Aglomeração na pandemia

Por Mirian Guaraciaba Atualizado em 30 jul 2020, 18h49 - Publicado em 7 jul 2020, 12h00

As cenas de aglomeração nos bares no Rio de Janeiro, nos últimos dias, fizeram eco ao Prefeito de Itabuna, Bahia, Fernando Gomes. Aos 81 anos, quinto mandato, Gomes mandou abrir o comércio na marra, dia 9, depois de amanhã. “Morra quem morrer”.

Sinônimo claro de “e daí, não sou coveiro”, de Bolsonaro, sobre milhares de vidas perdidas no Brasil, ou “não podemos parar porque uns 5 mil vão morrer”, do empresário Junior Durski, do Madero, defendendo a abertura do comércio, a frase do prefeito é a resenha do Brasil.

Confesso. Não consigo mais fazer piada. Não foram cinco mil. Já são quase 66 mil brasileiros mortos.

Pior que o vírus maldito é a zona sanitária e política que se instalou no País. Uns abrem, outros fecham, uns abrem aos poucos, outros escancaram. Uns dizem que o pior já passou, outros que continuamos a bater recorde do números de mortes e novos casos da doença. Sinais trocados, desinformação e os interesses políticos acima de tudo e de todos.

De olho na reeleição, por ignorância ou mau caratismo, o Capitão desprezou a pandemia. Causa repulsa sua indiferença ao sofrimento humano e aos estragos irrecuperáveis da imagem do Brasil no exterior. Jair Messias quer que o País funcione a fórceps. Escolheu mal seu ministro da Economia. Paulo Guedes patina na própria incompetência e no rastro do Coronavírus. Faz muitas promessas, fala muita besteira, mas não saiu do lugar.

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Os prefeitos têm eleição este ano. Maldito ano. Ano perdido. No Rio, os fiscais saíram multando bares a torto e a direito. Multas convenientes. Boa caixa de campanha. Quem aglomera não é o dono do bar, mas a gentalha que não está nem aí para vizinhos, amigos, parentes.

Prefeitos, em 2020, querem tribuna e dinheiro. Governadores não gostam menos da ribalta. Bolsonaro anda longe dos holofotes – não por estar no modo “paz e amor”, leitura equivocada e simplória da imprensa – está acuado por Queiroz e Wasseff. E, por incrível que pareça, foi acossado pelo Covid. O Capitão está com sintomas, pode ter contraído a “gripezinha”. Anunciou que fará testes.

Com raras exceções, a maioria dos governadores tropeça nos decretos do abre e fecha, na testagem em massa que nunca acontece, na reorganização das escolas e do comércio, nos protocolos. Pesquisa recente do Datafolha, dia 25 de junho, mostrou que menos de 35% do eleitorado está feliz com seus governantes.

E tem malabaristas. Exemplo do desgoverno da pandemia vem de Brasília. O Governador Ibaneis Rocha deu uma guinada de 180 graus no combate à doença. Foi ágil no inicio, tomou medidas radicais, mas sem qualquer indicativo de controle, desfez o que fez. Chamou de gripe o Covid19.

Azar o nosso. Ao sabor amargo dessa tragédia, vamos chegando a 120 dias de isolamento. Sem perspectivas. Podemos sair? Dá para caminhar no calçadão com tranquilidade? Quem sabe? Em quem confiar? Sem lideranças, sem comando, caberá a cada um de nós decidir nosso presente e nosso futuro. Vamos aos testes. Seja o que Deus quiser. Morra quem morrer.

Mirian Guaraciaba é jornalista

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