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Moro vai a Toffoli: Jogo de xadrez e toques de corneta em Brasília

Recomenda-se acompanhar movimentos e falas do futuro ministro da Justiça

Por Vitor Hugo Soares Atualizado em 30 jul 2020, 20h08 - Publicado em 24 nov 2018, 12h00

Olhando bem os movimentos, nesta semana do rápido encontro em Brasília do presidente do STF, Dias Toffoli, com o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, fica fácil entender porque o aprendizado e a reciclagem de conhecimentos das estratégias do jogo de xadrez e dos significados dos toques militares, de corneta e de clarim, viraram duas modas em alta no País neste 2018 a caminho do fim. Enquanto agentes da Polícia Federal, na operação “Sem Fundo” (Lava Jato), autorizada pela juíza Gabriela Hardt, dão batida na manhã desta sexta-feira (23 ), no faraônico anexo da sede da Petrobras em Salvador. Foco da investigação do que se anuncia como um dos maiores escândalos de propina e corrupção no Brasil dos governos do PT. A conferir nos próximos capítulos.

Por enquanto, digo apenas que nos ambientes de poder político, econômico, religioso, acadêmico, jurídico, xadrez e toque de corneta são duas das principais ocupações de Cronópios e Famas (para usar a definição do realismo fantástico, do escritor argentino Julio Cortázar, dos estranhos seres que povoavam Buenos Aires em outra época). Atualmente, eles parecem habitar Brasília,s com ramificações nacionais.

Estes novos hábitos sinalizam tendências que já se ensaiavam há mais de dois anos, “pelo menos” – alerta ao distraído jornalista uma bem informada amiga, atenta às questões da saúde, e aos ruídos das transformações em andamento. A onda cresceu, quando o capitão candidato a presidente levou uma facada, durante ato público de campanha em Juiz de Fora (MG). E um tsunami invadiu os centros de comandos das tropas armadas, diante do risco de um desfecho mortal, de desfecho impossíveis de avaliar, mesmo pelos melhores estrategistas. Mas Jair Messias Bolsonaro saiu dos hospitais onde foi tratado. E foi eleito para comandar a República com expressivos quase 60 milhões de votos. Aí começou a se intensificar, e se expandir, no Brasi l, ocupações semelhantes às dos personagens surreais de Cortázar, em “Histórias de Cronópios e Famas”.

No caso da comunicação sonora dos fardados, merece destaque a rapidez e presteza, de aprendizado do presidente da corte suprema de Justiça, ex-advogado do PT, apadrinhado de Lula ( acusado, por petistas de raiz, de ingratidão e afastamento do ex-padrinho, preso em Curitiba. Na comemoração dos 30 anos da Constituição de 1988, no plenário da Câmara – sentado entre os ex-presidentes Temer e Sarney, propôs, pela primeira vez, um “pacto republicano de governabilidade entre os poderes da Republica”. Diante do futuro mandatário (presente à solenidade), que mal acaba de sair das urnas legitimado por 58 milhões de votos.

Em artigo publicado no jornal espanhol El Pais, Toffoli reapresentou a proposta com detalhes. A seguir, em coletiva a imprensa estrangeira, em São Paulo, disse: “É o momento de o Judiciário se retrair e retomar a clássica divisão dos poderes”. E defendeu moderação e fim do protagonismo dos togados: “Não cabe ao Judiciário ser centroavante, mas nós seremos zagueiro”. A metáfora não é nova, mas é a que temos.Por enquanto.

Quanto ao jogo de xadrez, recomenda-se acompanhar movimentos e falas do futuro ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, rematado estrategista – quando juiz condutor da Lava Jato – que tece sua equipe de auxiliares, com muita discrição, poucas palavras e sem perda de tempo, para enfrentar, no governo, o crime organizado e seguir no combate à corruptos e corruptores. O encontro com o ministro no Supremo durou só 15 minutos. Nada mais.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br 

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