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Mais um general na linha de tiro

Em perigo por seus acertos

Por Ricardo Noblat - 22 jul 2019, 09h00

Transparência, ou transparência em excesso, é algo que preocupa cada vez mais os que cercam o presidente Jair Bolsonaro, salvo honrosas exceções. Uma delas é o general Otávio Rego Barros, porta-voz da presidência da República, um militar competente e discreto.

Rego Barros convenceu Bolsonaro a receber jornalistas para cafés da manhã semanais. Ali, pode-se perguntar o que quiser e ouvir o que Bolsonaro queira dizer. Vez por outra ocorre algo inusitado, como um general esmurrar a mesa, furioso. Mas tudo bem. Segue o baile.

Para o porta-voz, a quebra de barreiras que separavam Bolsonaro dos jornalistas poderá custar-lhe o emprego. Rego Barros entrou na mira do garoto Carlos, o mais problemático dos filhos do presidente, sem desprezo ao outro metido em rolos financeiros.

Carlos não se conforma com o fato de não mandar na comunicação do governo do pai apesar de ter sido o melhor manipulador de redes sociais durante as eleições do ano passado. Um craque! Ao atacar Rego Barros, tenta recuperar o protagonismo perdido.

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Acompanha Carlos o deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), um pastor que aspira obsessivamente a condição de vice de Bolsonaro caso o presidente concorra à reeleição. Feliciano passou a atirar em Rego Barros como antes fazia com o general Hamilton Mourão.

Sempre que a dupla Carlos-Feliciano começa a disparar contra alguém é porque foi previamente autorizada por Bolsonaro a agir assim. Essa é uma das poucas certezas compartilhadas pelos que acompanham o governo de perto em Brasília.

Carlos pode ter perdido o controle sobre as senhas das páginas do pai nas redes sociais, mas ainda não perdeu a cabeça. Nem a sintonia com Bolsonaro. Às vezes, se antecipa aos desejos mais recônditos do pai. Na maioria das ocasiões, obedece às suas ordens.

Em mais uma soberba demonstração de transparência, Bolsonaro confessou outro dia que é adepto do método de fritar em público auxiliares que se tornaram incômodos para só depois demiti-los, muitas vezes com humilhação. Ou seja: a tortura precede a morte.

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Faz sentido. Cuide-se o general.

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