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Inflexão política em Vitória (por Antônio Carlos de Medeiros)

Centro avança

Por Antônio Carlos de Medeiros Atualizado em 30 nov 2020, 02h50 - Publicado em 30 nov 2020, 13h00

O prefeito eleito de Vitória, deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), confirmou nas urnas que é uma novidade política regional em ascensão. Sua vitória sobre o candidato do PT, João Coser, com 58,5% dos votos válidos, mostra que o eleitorado da capital capixaba decidiu fazer uma inflexão política, na direção do centro político.

Pazolini tem perfil de centro direita. Mas a Câmara de vereadores terá 60% de vereadores no espectro político das esquerdas – do Cidadania ao PT e ao Psol. E a alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) foi da ordem de 1/3 do eleitorado da cidade. A realidade impõe a busca do consenso.

Depois de 32 anos de hegemonia da centro esquerda em Vitória, agora os eleitores apontam para o caminho do Centro, na mesma trilha da tendência nacional. A capital capixaba também coloca em xeque a hegemonia dos extremos. A mediana eleitoral do país registra a ascensão da opção por moderação. O pêndulo político brasileiro volta a configurar a teoria da centralidade eleitoral de Anthony Downs. Observando o comportamento eleitoral nas democracias, Downs constatou que a distribuição das preferências conforma uma curva em forma de sino. Há uma convergência para a mediana central da curva. Os extremos ficam nas bordas do sino. Os partidos políticos tendem a posições centristas.

Com apenas um vereador eleito pelo Republicanos, Pazolini vai precisar montar um governo local com alianças políticas ao Centro e às esquerdas. Terá enormes desafios fiscais e sanitários. Seu primeiro teste será cumprir a promessa de liderar a cidade e montar uma equipe de governo com capacidade técnica e visão política. Mostrar que representa mesmo o que prometeu: renovação.

Sua eleição cria uma terceira força no xadrez do poder político estadual. O Republicanos – com Pazolini; com o atual presidente da Assembléia Legislativa, deputado Erick Musso; e com o popular deputado federal Amaro Neto -, tem o projeto político de ser o fiel da balança entre as forças lideradas pelo governador Renato Casagrande (PSB) e as forças lideradas pelo ex-governador Paulo Hartung (sem partido). Há uma transição política em curso no Espírito Santo, liderada por Casagrande, que pretende a reeleição em 2022. Hartung é aliado nacional de Luciano Huck, mas estaria mirando também uma nova candidatura ao Senado em 2022. O Republicanos agora é parte deste xadrez estadual.

 

*Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.

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