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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Governo usa o desmatamento da Amazônia para fazer chantagem

Ou entra dinheiro ou pode piorar

Por Ricardo Noblat Atualizado em 18 nov 2020, 19h57 - Publicado em 23 set 2020, 09h00

Ora vejam só. Qualquer governo estrangeiro minimamente interessado no assunto está cansado de saber que se agrava o problema ambiental do Brasil desde que Jair Bolsonaro chegou à presidência. É o que mostram todos os dados confiáveis, e as imagens que circulam livremente pelo mundo.

Foi por isso que os governos de oito países europeus assinaram carta recém-divulgada onde ameaçam não ratificar o acordo comercial com o Mercosul se o Brasil não passar a cuidar melhor da natureza. Foi também por isso que o primeiro-ministro francês Jean Castex postou nas redes uma mensagem na mesma linha.

Qual a reação do governo brasileiro? Em uma extensa nota publicada ontem, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura responderam que a não confirmação do acordo seria “um claro desincentivo aos esforços” do Brasil para fortalecer sua legislação ambiental, podendo até mesmo acirrar a situação.

A nota foi distribuída aos jornalistas horas depois do discurso de Bolsonaro na abertura na Assembleia Geral da ONU, onde ele disse que as riquezas da Amazônia despertam interesses estrangeiros e escusos e que seu governo é vítima do que chamou de “brutal campanha de desinformação”.

Em outras palavras: o governo brasileiro, que faz descaso da questão ambiental, adverte a comunidade internacional que tudo poderá ainda ficar pior se lhe faltarem recursos. Outra saída, portanto, não haveria para governos estrangeiros a não ser se renderem sem prévias condições à soberana vontade do Brasil.

A isso se dá o nome de chantagem.

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