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Gilmar x Moro: o duelo definitivo se aproxima

Alto risco explosivo

Por Vitor Hugo Soares - Atualizado em 30 jul 2020, 19h22 - Publicado em 19 out 2019, 12h01

Desperta interesse e causa suspense, a intensa carga de eletricidade com alto risco explosivo e outros perigos, nada desprezíveis, que se acumulam no céu de Brasília. Além da mensagem no Twitter do general Eduardo Villas Boas, ex-comandante da Forças Armadas, sobre os atuais ruídos no STF. Sinais do tempo quente e abafado, em face também dos ensaios e perspectivas de um duelo de tirar o fôlego, envolvendo o esquentado integrante do Pleno da corte maior, Gilmar Mendes, e o reconhecido estrategista Sérgio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública, ex-juiz condutor da Lava Jato. Isso sem falar das faíscas constantes que saem do centro do poder no Palácio do Planalto e no Congresso.

Na iminência deste confronto que se aproxima, vale a pena prestar atenção nas preliminares dos últimos dias e nos estilos pessoais e profissionais, marcantemente distintos, dos dois contendores. De um lado Gilmar, o “caubói” de pensamento febril, modos desconcertantes de aplicar golpes abaixo da linha da cintura do adversário e, principalmente, da língua ferina que cospe fogo. No lado oposto da praça do embate, o outro duelante: Moro, de perfil pétreo e, geralmente, tão indecifrável quanto os famosos labirintos das pirâmides egípcias. Igualmente hábil no manuseio do revólver, mas sempre imprevisível quanto à mão (direita ou esquerda) e o momento exato do disparo certeiro.

Esta semana, na Conversa com Bial (TV Globo), o ministro do Supremo sacou primeiro e bem ao seu modo e jeito: vistos e conhecidos desde o tempo dos tiros trocados, dentro do Pleno do STF, com o presidente da corte e relator do processo de Mensalão, Joaquim Barbosa, em confrontos sucessivos e de arrepiar a Nação. De repente, “sem que nem pra que” (assim dizia minha saudosa e atenta mãe, na minha infância à beira do São Francisco, rio da minha aldeia), Mendes atirou à queima roupa no ex-juiz condutor da maior operação de combate à corruptos e corruptores do País: “Moro chegou ao governo quase como um primeiro-ministro, mas virou esse personagem que o Bolsonaro leva para o jogo do Flamengo”. Bang!

Moro não negou fogo. Procurado pelo jornal O Globo, para responder, o mais bem avaliado ministro do atual governo – incluindo o próprio presidente da República, atingido de raspão por uma bala perdida do ministro do STF – disparou sem perder o prumo e o estilo, ao contestar. “Além de sempre ter tratado o STF e todos os seus ministros com todo respeito, tenho consciência tranquila em relação aos meus atos, tanto é que não tenho nenhum problema em ir a locais públicos, inclusive estádios de futebol”. Bang!

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Nem precisa ter bola de cristal para antever que isso não vai parar por aí. Aliás, ainda na Conversa com Bial, o ministro do Supremo deu pistas claras de que o tira-teima está próximo e que ele já se prepara para isso. “Vamos ter capítulo sobre o eventual significado da Vaza Jato, o eventual aproveitamento ou não de prova ilícita nesta questão”, disse. Quando isso acontecer – se de fato acontecer – será provavelmente o momento do duelo definitivo dos dois titãs.

Com seu notório estilo enigmático, é bem provável que, em silêncio, o ministro Sérgio Moro já esteja também azeitando o gatilho de sua arma, para quando chegar a hora do acerto de contas final. A conferir.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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