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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Fogueiras digitais (por Gustavo Krause)

A Internet virou o mundo de ponta-cabeça

Por Gustavo Krause - Atualizado em 2 ago 2020, 03h44 - Publicado em 2 ago 2020, 12h00

Como ocorre habitualmente, José Paulo Cavalcanti escreve artigos com estilo elegante, títulos criativos, conteúdos consistentes e o, melhor de tudo: assume suas ideias com inabalável destemor.

O texto da sexta-feira (dia 24/7) é exemplar. No “Internet com tornozeleira”, o autor joga duro com o projeto de Lei da Internet, aprovado pelo Senado, apressadamente, e fulmina o a iniciativa “porque está na contramão da história. Porque problemas globais devem ter soluções globais” e podem servir aos disfarces formais da censura.

A Internet virou o mundo de ponta-cabeça. Para o bem ou para o mal? Depende. Esta resposta propositadamente dúbia atende do mais prosaico ao mais sofisticado avanço tecnológico, como, por exemplo, uma faca amolada na mão de um maitre ou na mão de um serial Killer.

A liberdade de expressão é a liberdade das liberdades. Mas, nos “cercadinhos”, ela serve para palavras ferinas e gestos grotescos dos populistas de plantão que alimentam as pautas da imprensa e infestam o espaço cibernético. Neste espaço, atuam redes sociais que, no seu conjunto, representam o pano de fundo ideológico, disseminando as inclinações extremistas e totalitárias do credo populista.

Por trás da imagem tosca e da frase demolidora de reputações, estão ideólogos que atentaram para a linguagem da Internet de modo a alimentar a raiva, propagando-se em repetidos arrotos de ódio. Por sua vez, interdita a racionalidade do debate democrático. As redes sociais não são afeitas à diversidade: buscam “adesão imediata” e “engajamento”.

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Sobre o assunto, não falta mão de obra qualificada. A Steve Bannon, o homem-orquestra do populismo americano, Trump devia muito, mas o demitiu com humilhação. O sonho de Bannon é fundar a “Internacional populista”.

Dominic Cummings, diretor da campanha do Brexit, fez a Inglaterra dormir membro da União Europeia e acordar fora dela. Trabalhou a cabeça dos indecisos e manda um recado aos políticos: “não contratem marqueteiros; contratem físicos”.

Milo Yannapoulos, blogueiro inglês, detona dogmas da esquerda e o politicamente correto.

Arthur Finkelstein é o mais eficaz conselheiro do húngaro Viktor Orban, o abre-alas da Europa reacionária.

A estratégia propõe: desunir as pessoas, extremando-as; disseminar o ódio e as paixões; articular o grande conflito “o povo e as elites”; desmoralizar as instituições e aniquilar a política. Deu forma à “cultura do cancelamento”. Os “Trolls” e as “Fake” são os carrascos das fogueiras digitais. Com a supervisão de um “Conselho de Transparência e Responsabilidade”, pronto… está constituído o Tribunal da Inquisição 4.0.

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