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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Fica ainda mais indefinida a eleição para prefeito do Recife

Erros de Marília favorecem João Campos

Por Ricardo Noblat Atualizado em 26 nov 2020, 08h31 - Publicado em 26 nov 2020, 08h00

Um formidável erro de marketing político pode subtrair ao PT sua única vitória que parecia possível para prefeito nas 26 capitais do país. Marília Arraes (PT), que na pesquisa Ibope do último dia 18 apareceu à frente de João Campos (PSB) com 45% das intenções de voto contra 39%, na de ontem apareceu atrás com 41% a 43.

O erro de marketing político, caso a nova pesquisa Ibope espelhe, de fato, a realidade: João foi para cima de Marília em debates e no horário de propaganda eleitoral acusando-a de desonesta por um suposto esquema de rachadinha à época em que era vereadora, e de desprezo pela Bíblia. E a resposta de Marília foi tímida.

Ela foi orientada pelos estrategistas de sua campanha a se apresentar como mais uma mulher vítima de ataques machistas. A apostar na solidariedade das mulheres. E a tocar a campanha à base de Marília paz e amor, embalada até por uma paródia de música cantada por Elba Ramalho que diz assim:

“Bate, bate, bate coração

Dentro desse velho peito

Você já está acostumado

A ser maltratado, a não ter direitos”

Nada mais velho do que o bordão “bate, bate, bate-coração”. Em 2004, foi usado por Paulo Maluf, candidato a prefeito de São Paulo. Ele ficou em terceiro lugar. Em 2010, foi usado por José Serra, candidato a presidente, derrotado por Dilma. E sempre na voz de Elba. Desta vez, também na voz de Chico Buarque.

Quando se pergunta aos eleitores se eles gostam de pancadaria entre candidatos, respondem que não, que preferem a discussão em termos sóbrios dos principais problemas de sua cidade, Estado ou país. E de propostas para solucioná-los. Verdade só em parte. Eles gostam, sim, de pancadaria e de troca de acusações.

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Eleição em segundo turno costuma ser um confronto de biografias onde cada um dos candidatos tenta explorar as fraquezas do outro. A campanha de Campos assim se comporta. A de Marília, que acumula vasta munição contra seu primo, o prefeito do Recife e o governador de Pernambuco, esses mal avaliados, não a usou.

Marília torce por duas coisas: para que a pesquisa Ibope esteja errada. E para que pesquisa Datafolha, a ser divulgada logo mais a noite, ainda aponte sua vantagem sobre Campos. A pesquisa Ibope de boca de urna no 1º turno (que se faz com o eleitor depois de ele ter votado) deu os seguintes resultados para prefeito do Recife:

+ João Campos, 35% – ele teve 29,13%;

+ Marília, 30% – ela teve 27,9%;

+ Mendonça Filho (DEM), 19% – ele teve 25,7%.

+ Delegada Patrícia (PODEMOS), 12% – ela teve 14,04%

Quinze por cento dos eleitores do Recife decidiram em quem votar no dia da eleição. No próximo domingo, a cidade assistirá ao embate de dois fortes sentimentos encarnados por Campos e Marília: o antipetismo versos o cansaço com 14 anos de governos do PSB. O medo versos a mudança. Façam suas apostas.

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