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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Estado de emergência – Luana está doente

Diário de Avô – Uma celebração à vida

Por Ricardo Noblat Atualizado em 30 jul 2020, 18h58 - Publicado em 29 abr 2020, 14h00

14.9.2008

Luana está enferma.

Por telefone, de São Paulo onde passei metade da semana, cheguei a ouvir, não sei se de Rebeca ou de Sofia, que ela estava “gravemente” enferma. Diante do meu espanto, suprimiram o “gravemente”. Disseram-me então que o estado de saúde de Luana inspirava cuidados. Menos mal.

Ela pegou uma virose. Como, onde e por quê? Ninguém sabe. Nem os médicos. Desconfio que virose é tudo aquilo que os médicos não sabem diagnosticar.

O Dr. Google informa que as viroses atingem principalmente as crianças. E que se manifestam “através de resfriados, gripes, amidalites, sinusites, bronquiolites e pode até causar pneumonia”.

Sintomas de virose: febre alta, tosse, dor de cabeça e no corpo, principalmente nas articulações e falta de apetite. Possíveis causas: poluição ambiental, casas pouco arejadas, histórico alérgico na família e alterações ambientais rápidas demais.

Conselho importante: procure um médico. Sem essa de “mamãe sabe tudo” e por isso é capaz de medicar os filhos. No caso de Sofia, ainda bem que ela reconhece sua ignorância.

Luana não apresenta nenhuma das manifestações de virose listadas acima. E apenas um dos sintomas: falta de apetite.

Resolveu fazer greve de fome. E quando se apieda dos pais e concorda em comer alguma coisa para evitar que eles se suicidem, vomita mais tarde. Tem feito cocô com frequência. E naturalmente trocado de fralda e de roupa com frequência.

– Minha filha definha e eu não posso fazer nada – comentou Sofia sozinha no terraço, esta manhã.

Ainda no quarto, antes de deixar a cama, Rebeca me advertiu:

– Sua filha não come nada. Nada. Está um fiapo humano…

– Filha ou neta?

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– Filha. Sofia não come, é anoréxica e você não enxerga o tamanho do problema.

Há 10 anos que ouço Rebeca dizer que Sofia ainda morrerá de fome…

Faz calor em Brasília e o tempo está muito seco. Sugeri que deixassem Luana só de fralda durante o dia.

Ora, é claro que fui repreendido. Em coro, Rebeca e Sofia responderam que eu não entendo de virose e muito menos de bebês. Vitor, pai de Luana, ficou calado.

Compreensível. Nos últimos dois dias, ele tem sido o alvo preferencial da irritação de Sofia. Para Luana, ela só tem palavras doces. Para Vitor e o resto…

Receio que em breve a pediatra de Luana trocará o número do seu telefone. Ou então dispensará Luana como paciente. Depois de examiná-la duas vezes em 72 horas, vive sendo acionada por telefone. Se a ligação cai em caixa postal, Sofia manda um e-mail.

A pediatra diz que o vírus tem que completar seu ciclo de vida. E que não há o que fazer. Garante que Luana estará nos trinques até amanhã, segunda-feira. Ou no máximo no dia seguinte.

Pressionada por Rebeca, Sofia mudou-se aqui para casa.

Ninguém arreda o pé de junto de Luana – os avós, os pais e os tios. Foram suspensas visitas de estranhos. Estranhos são todos aqueles que não pertencem ao chamado núcleo duro da família.

Estamos em vigília permanente. Fala-se baixo. O tradicional e festivo almoço do domingo foi suspenso. A tensão é indisfarçável.

Quanto a Luana, desconfio que ela aprecie tudo isso. Continua sorridente. E não para de agitar os bracinhos quando se brinca com ela.

Saca esses bonecos de plásticos comuns em postos de gasolina cujos braços inflados de ar estão sempre em movimento? Pois é… Levei outro carão ao dizer que Luana lembra um boneco desses toda vez que agita os bracinhos.

Rebeca prefere comparar Luana a Elis Regina. No início de sua carreira, Elis cantava rodando os braços como hélices de helicóptero. Faz sentido.

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