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Eleições e Lições (por Gustavo Krause)

O progresso do nosso sistema eleitoral é indiscutível

Por Gustavo Krause Atualizado em 23 nov 2020, 17h51 - Publicado em 17 nov 2020, 12h00

Diante do mesário, meio amostrado (nordestinês) como o cara que quer “causar”, perguntei: – “Identificação analógica ou digital?”. No bolso estavam, parte da história do voto e das eleições da minha geração: título de eleitor convencional, carteira de identidade, o aplicativo e-título no celular: “qualquer um, vale”. Votar, hoje, é facílimo.

No último artigo, orgulhoso, elogiei a funcionalidade do sistema. Não é que deu um “tilte”, defeito, palavra incorporada pelo idioma da informática. Um presente para quem adora teoria da conspiração.

O progresso do nosso sistema eleitoral é indiscutível. Nós já tivemos o voto censitário, a bico de pena, nome dos candidatos em envelopes, o voto camarão, todos representavam manobras para fraudar a vontade livre do eleitor que, no livro clássico de Vitor Nunes Leal (Coronelismo, Enxada e Voto), estuda o fenômeno do coronelismo e identifica os “currais eleitorais” de onde saíam “rebanhos” para colocar na urna “o voto de cabresto”.

Com efeito, as disfunções do sistema político contaminam a representatividade do voto, mas o processo avançou muito. Pode não ser infalível, mas é um considerável avanço.

Eleições ensinam. Embora com 17 disputas no segundo turno das capitais, o eleitor manda o recado sobre o cansaço da polarização. A voz da urna é silenciosa e irreversível. O Presidente da República, sem partido, viu diminuída sua força eleitoral e, no caso específico de São Paulo, foi tóxico em relação a Russomano. A esquerda teve um razoável desempenho e o PSOL – Boulos – dá sinais de que, repaginado, pode ser uma opção ao PT.

Por sua vez, o centro não governista – o DEM e o PSDB – sai fortalecido. O centrão governista, também, o que assegura certa estabilidade política a um preço mais alto para o governo. Líderes políticos e personalidades presidenciáveis se animam com os olhos em 2022.

Sobre a minha aldeia, o Recife, algumas curiosidades: no sábado, O IBOPE publicou pesquisa com dados muito acima da margem de erro em relação a todos os candidatos e, na pesquisa de boca de urna, foi um disparate.

O provável paradoxo. O vencedor do primeiro turno foi maior derrotado nas eleições, João Campos, com 70% dos votos contrários à continuidade que ele representa, vai ao segundo turno disputar com a candidata do PT (leia-se de Lula) em consórcio com o PSB, até às vésperas da eleição. O vencedor/a será o candidato/a que representar não apenas a preferência, mas, sobretudo, a menor rejeição ao governo ou ao lulopetismo. A conferir.

Gustavo Krause foi ministro da Fazenda

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