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Covas abandona a moderação e associa Boulos ao radicalismo

O céu já foi de brigadeiro

Por Ricardo Noblat Atualizado em 25 nov 2020, 08h17 - Publicado em 25 nov 2020, 08h00

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto para prefeito de São Paulo desde o primeiro turno, Bruno Covas (PSB) saiu, ontem, do modo comedido para bater no seu adversário Guilherme Boulos (PSOL), associando-o à Venezuela e Cuba.

Fez isso 24 horas depois de a mais recente pesquisa Datafolha indicar que ele caiu três pontos percentuais, e Boulos cresceu três. Em votos válidos, a diferença é de 10 pontos. O pouco tempo que resta até domingo é o maior aliado de Covas.

Em entrevista à rede de rádio CBN, Covas considerou normal o resultado da pesquisa, garantiu que “vai ser no dia” que a população irá se definir e voltou a chamar Boulos de radical:

– Só uma visão ideológica para achar que Venezuela e Cuba são democracias porque tem eleição. Isso mostra radicalismo.

O modo comedido também foi deixado de lado pelo prefeito, candidato à reeleição, ao ser perguntado sobre seu vice, o vereador Ricardo Nunes (MDB), acusado em 2011 por violência doméstica, ameaça e injúria pela mulher com quem é casado até hoje.

“É impressionante como vocês são pautados pela campanha do PSOL. É impressionante como a imprensa segue a campanha do PSOL”, disse Covas. “Eu fico horrorizado com isso. Vocês gostam de acabar com a vida do meu vice, sem nenhuma denúncia”.

De fato, Nunes nunca foi denunciado pela Justiça. Entendeu-se com a mulher e ela retirou a queixa registrada na polícia. Covas não se conforma que o episódio seja lembrado por seus desafetos. Por via das dúvidas, evita aparecer com Nunes a tiracolo.

Tem razão quando afirma que a realização de eleições não basta para que um país ganhe o carimbo de democrático. E Boulos, em entrevista há poucos dias à Jovem Pan, repetiu que Cuba e Venezuela são países democráticos porque neles há eleições.

Se voasse em céu de brigadeiro, Covas não alteraria sua postura, muito menos às vésperas de uma vitória que considerava certa. Ele era franco favorito para se reeleger. As próximas pesquisas de intenção de voto dirão se seu favoritismo se mantém.

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