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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Bolsonaro faz bom uso da mentira para se reeleger

É sua melhor arma

Por Ricardo Noblat Atualizado em 18 set 2020, 08h30 - Publicado em 18 set 2020, 08h00

Bolsonaro disse ontem: “O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente […], e o país que mais sofre ataques vindos de fora, no tocante ao seu meio-ambiente. O Brasil está de parabéns pela maneira como preserva o seu meio-ambiente”.

Bolsonaro também disse ontem: “O Moro não tem que perguntar nada para mim. Ele tem de dizer: ‘Olha, você interferiu aqui. Fez isso, fez aquilo’. Isso a gente rebate rapidamente”.

Por que Bolsonaro disse que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente quando isso nunca foi verdade e definitivamente deixou de ser desde que ele assumiu o governo?

  • E por que disse que Sergio Moro não tem que perguntar nada para ele quando Moro jamais foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal a perguntar quando Bolsonaro fosse interrogado no processo que investiga sua tentativa de intervir na Polícia Federal?

    Bolsonaro pode gostar de mentir, e mente diariamente, e não perde uma oportunidade de mentir. Mas não é por puro prazer, doença ou obsessão que mente. Mente conscientemente. A mentira serve à construção de um mundo paralelo que só o beneficia.

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    Foi assim ou não foi quando ele inventou a história do kit-gay, a mentira que mais lhe rendeu votos nas eleições passadas? Uma mentira a essa altura histórica, tanto quanto a de Trump sobre o nascimento de Barack Obama fora do território americano.

    Foi assim ou não foi quando Bolsonaro inventou, e repete até hoje, que o Supremo retirou parte dos poderes que eram seus para combater o coronavírus e transferiu-os para governadores e prefeitos? Por isso ele teria ficado de mãos atadas.

    Mentira estúpida, essa, para justificar o fracasso do governo federal no enfrentamento da pandemia que já matou mais de 135 mil pessoas e infectou 4,4 milhões. Cadê os 50 milhões de testes prometidos? Não passaram de 6,5 milhões, se muito.

    A mentira camufla a aposta errada feita por Bolsonaro nos efeitos limitados do que chamou de “gripezinha”, e sua convicção de que apenas os idosos, os mais vulneráveis morreriam de fato. Morreriam de qualquer jeito, mais dia, menos dia, segundo ele.

    Bolsonaro mente para blindar-se, mente para remover obstáculos à sua reeleição, e como entre esses estão seus adversários, mente para destruí-los. Não é por ignorância que receita cloroquina, é para dizer mais tarde que se preocupou com a saúde de todos.

    Pouco se lhe dá se as mentiras chocam e enfurecem os que o rejeitam. São votos que não teve e não terá. Importa que as mentiras satisfaçam suas tropas, mantendo-as unidas, e que lhes dê argumentos para que o defenda. Vai bem até aqui.

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