Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A subversão ambiental

Desnecessário mencionar nossas potencialidades ambientais

Por Gustavo Krause Atualizado em 30 jul 2020, 20h06 - Publicado em 9 dez 2018, 10h00

“Desenvolvimento é a construção de uma civilização do ser na repartição equânime do ter”. O visionário Padre Lebret enxergava longe. Citado por outro visionário, Ignacy Sachs (A terceira margem – em busca do desenvolvimento. São Paulo: Nova Fronteira, 2009, p.269) antecipou o conceito de ecodesenvolvimento, ao afirmar: “A problemática do meio ambiente era para mim, um tanto alheia. Foi em 1970 que participei em Tóquio do primeiro colóquio internacional sobre meio ambiente como desafio às ciências sociais”.

Com dimensão global, a questão ambiental revelou que a noção tradicional de progresso se assenta sobre duas falácias: o crescimento econômico é um bem, a qualquer custo, e os recursos naturais atendem às necessidades e à cobiça humana.

De fato, a civilização industrial gerou uma afluência nunca vista na história e dois gigantescos passivos: a degradação ambiental e a desigualdade social.

A natureza tornou-se assustadoramente escassa: ar contaminado, águas poluídas, terras inférteis, florestas destruídas e a ameaça das mudanças climáticas que agravam os custos da produção e a qualidade de vida das pessoas.

Resultado: a humanidade vive uma encruzilhada histórica, ou muda substancialmente os padrões de produção e consumo ou rompe os limites biofísicos do Planetas. John Gray, em Cachorros de Palha, chama atenção para o que denomina “praga de gente”, vale dizer, a nave planetária não suportará a carga a que foi submetida. É um caminho sem retorno.

Continua após a publicidade

Neste quadro, o Brasil se defronta com a crise e a oportunidade de tomar a dianteira como protagonista global na estruturação da economia de baixo carbono.

Desnecessário mencionar nossas potencialidades ambientais cujo aproveitamento depende de duas premissas: o conceito de uma relação simbiótica entre o homem e a natureza, como partes de um todo; e um diálogo entre sociedade, economia e ecologia, substituindo velhas ideias pelo ideário de um novo paradigma civilizacional.

Ao futuro governo, cabe adotar consistente política ambiental o que vai muito além dos instrumentos de comando e controle. Equivale tirar do papel a noção de sustentabilidade e transformar este conceito na ecopolítica a ser exercida pela ecocidadania – um status pollítico alicerçado na solidariedade e cooperação da ética intergeracional que assegure às futuras gerações uma qualidade de vida melhor do que a que recebeu das gerações anteriores.

Assim, o Ministro do Meio Ambiente do Brasil assumirá a missão estratégica que, na origem, nos deu o nome de batismo, e no futuro, confirme o destino de potência ambiental.

Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda

Continua após a publicidade

Publicidade