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A maturidade do jovem guitarrista Julian Lage

MÚSICA

Com apenas 30 anos, o guitarrista Julian Lage alcança a maturidade musical com o álbum Modern Lore. O lançamento o coloca entre os grandes guitarristas do jazz, estabelecendo novos caminhos para a linguagem da guitarra no gênero. Apesar de haver surgido na cena jazz há relativamente pouco tempo, Julian Lage é um músico veterano. Menino prodígio, aos nove anos já estava em um palco, na Califórnia, tocando com ninguém menos do que Carlos Santana.

A síndrome do “prodígio” sempre perseguiu Julian Lage. Ele teve sua rotina de estudos e apresentações como fenômeno da guitarra retratada no documentário Jules at Eight, de 1996. Aos 12 anos, se apresentou no show dos prêmios Grammy de 2000. E aos 15, já ministrava oficinas de jazz como professor da Universidade de Stanford.

Julian Lage começou a ter aulas de música aos cinco anos de idade, junto com seu pai, que queria voltar a tocar o violão, seu instrumento de adolescência. Nas aulas, o pai traduzia para o filho, em palavras simples, os ensinamentos do professor. Rapidamente o filho ultrapassou o pai, demonstrando um talento incomum para a música.

O jovem músico recebeu uma sólida educação musical. Primeiro, com estudos do violão clássico no Conservatório de Música de São Francisco; depois, curso de jazz na Sonoma State University, finalmente a graduação na Berklee College of Music, a mais prestigiosa universidade de jazz nos Estados Unidos. Julian Lage hoje é professor de guitarra jazz no conservatório de São Francisco, onde estudou.

Apesar de ser considerado a nova sensação do jazz, Julian Lage diz que se vê mais como um guitarrista de blues, a música que marcou sua infância. “O blues está em minha essência. Era a música que meus pais escutavam em casa, blues, R&B e soul. Eu cresci ouvindo a guitarra como um instrumento muito sensual, semelhante à própria voz dos cantores de blues” explica o músico.

Lage conta que, ainda no conservatório, decidiu que precisava se aperfeiçoar e entender profundamente como utilizar as escalas e os acordes na guitarra. Foi quando um de seus professores lhe orientou de que, para isso, deveria aprender a tocar o repertório do jazz. E foi dessa maneira que o jazz se tornou sua forma definitiva de expressão.

No álbum Mordern Lore (Mack Avenue – 2018), a guitarra de Julian Lage lidera o trio com Scott Colley no baixo e Kenny Wollesen na bateria. Destacam-se os temas Look Book, o mais bop do disco, enquanto Roger The Dodger traz sua levada mais bluesy e The Ramble, que abre o cd vem forte no jazz rock. No vídeo a seguir temos Julian Lage e seu trio com o tema Atlantic Limited, em que podemos curtir toda sua técnica e sensibilidade.

 

Flávio de Mattos é jornalista e escreve aqui sobre jazz a cada 15 dias. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso – O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço: senado.leg.br/radio  

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