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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A dor também é nossa

E não é dor da boca pra fora. É dor sentida, das que tiram o sono e acordam a indignação

Por Tânia Fusco Atualizado em 30 jul 2020, 20h00 - Publicado em 29 jan 2019, 11h01

2019, que chegou chegando, é ano regido por Ogum e será intenso, de muitos obstáculos a serem enfrentados. Ogum não dá moleza a ninguém. É de luta e resolução. Não há lama que não dissolva. Não há mal que não enfrente. A boa notícia é que enfrenta e vence.

A Vale que se cuide!

Ogum é da Justiça justa. Vai acertar contas ainda abertas na lama de Mariana. Só 1% das multas aplicadas a Vale, travestida de Samarco, começaram a ser pagas e no modelo de pai pra filho – em 59 vezes. 99% do devido pelo crime de Mariana anda parado na Justiça.

É justo?

Quantos de nós, cidadãos honestos, temos essa moleza para acertar nossas modestas contas com o fisco, com o Estado, com Bancos?

Ogum, que é também o nosso São Jorge, tá de olho nisso. E vai cobrar dos falsinhos que, na cara de pau e embalados em belas imagens de propaganda, ousaram anunciar: Mariana nunca mais.

Cinismo demais. Desprezo demais pela lama derramada, pelos mortos, pela terra arrasada. Não há publicidade que apague tamanho menosprezo.

Ogum resolve na ponta da espada. Por nós, veio dizer: Deu! Chega. Barragem furada tem preço e culpa.

Ogum é Orixá papo reto. Costuma desmanchar a cena de falsos profetas – desses muitos que bailam no picadeiro Brasil.

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Ogum é porreta. Encara. Busca e expõe a verdade. Encurta o voo dos cínicos. Não deixa nada pra depois.

Marte é o planeta de Ogum. O que também não alivia. O astro favorece a resolução de questões difíceis. O que não nos falta no menu deste janeiro.

Ogum é sábio e bravo. Capaz de fazer entender aos filhotes do PR – os tais “garotos” passados dos 30 – que não ganharam um reino. Não são príncipes herdeiros, mas filhos de um PR eleito no sistema republicano, que tem três Poderes de igual valor e responsa.

Quem sabe Ogum resolva essa parada. E ainda opere o milagre de fazer o PR assumir o papel que ganhou nas urnas. E assim, recebendo a graça da cura, troque cafajestadas e provocações perpetradas pela Internet por aulas de dicção e lições de grandeza e governança.

Ogum lhe dê algum senso – bom e crítico. Rápido. Please.

Quem sabe a espada de Ogum devolva voz e autoridade ao ministro-promessa da Justiça. E, tomado de brios, quebre seu silêncio forçado – fraco e feio – para desenrolar também o novelo do Queiroz com os fios soltos nas modalidades rachadinha, lavagem de dinheiro, milícias e assassinatos.

Ogum, o justo, aponta que a lama, o crime de Brumadinho, além de outros em questão, têm nome e sobrenome. Falta reconhecer firma.

Ogum na causa.

A dor de Minas é de todos nós. A solidariedade absoluta.

Tânia Fusco é jornalista

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