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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A Cura Hetero

O descondicionamento hetero será livre, sem modelo. Cada um escolhe o seu.

Por Tânia Fusco 28 ago 2018, 14h00

Joana cansou de ser hetero num mundo que é cada vez menos hetero e mais repressor. Careta.

Refletiu, constatou a fartura e a qualidade de pessoas no mercado dos homos de várias designações e concluiu: precisa passar por um processo de descondicionamento da orientação hetero.

Principalmente, tem certeza que é mesmo o-ri-en-ta-ção. E não quer mais essa limitação, que avalia como socialmente imposta.

Ana batizou: O que você quer, então, é a cura hetero?

Ferveu. E o grupo – ainda hetero, com meninas de 30 a 60 – virou roda de palpite para o desenho da campanha pró Cura Hetero.

Definiu-se o objetivo da cura: alcançar a pansexualidade, que é a perfeição. A designação já existe. Mas, se adotada como padrão, pode simplificar tudo – do desejo, opção ou prática sexual até o registro de nascimento.

No modo pan todo mundo será só ser humano. Acaba a classificação por gênero. Ninguém terá mais no registro as nominações mulher ou homem. Será gente e pronto.

As organizadoras ressaltam: a cura hetero não será um processo opressivo e obrigatório, mas decisão pessoal e intrasferível, sem envolver, pastor, bispo, padre, soldado, capitão, polícia ou ladrão, muito menos chicote ou manicômio.

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O descondicionamento hetero será livre, sem modelo. Cada um escolhe o seu. Pode ser, por exemplo, com a repetição do mantra: não sou e nem quero ser hetero, mais a prática de um olhar aberto, pan, para o mundo.

Democrática, a campanha também não se propõe combater ou cassar qualquer das designações dos campos afetivos, sexuais e de comportamento.

Quem preferir continuar se identificando como cisgênero, agênero, gênero fluido, transgênero, não binário, bi, genderqueer, drag queem, drag king ou crossdresser pode tocar sua vida em paz.

No mundo pan, haverá espaço até para quem, à antiga, preferir continuar se definindo como heterossexual. Não haverá mais espaço para discriminações.

A cura hetero marcará o fim do apartheid por aparência, causa ou razão afetiva e sexual. Não mais banheiros e provadores distintos. Não mais roupinhas para uns e para outras.

Nada mais de armários fechados a sete chaves uma vida inteira. A cura hetero, prometem as idealizadoras, vai apenas tirar a peneira do sol e fazer entrar mais luz e mais gente no lado bom e do bem da vida – sem pulseirinha de camarote fechado.

Simples. Take off your social mask.

Tânia Fusco é jornalista, mineira, observadora, curiosa, risonha e palpiteira, mãe de três filhos, avó de três netos. Vive em Brasília. Às terças escreve sobre comportamentos e coisinhas do cotidiano – relevantes ou nem tanto 

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