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A cueca do senador e a ladainha de Bolsonaro (por Mirian Guaraciaba)

Flagrante escatológico

Por Mirian Guaraciaba - Atualizado em 16 out 2020, 02h40 - Publicado em 16 out 2020, 11h00

No mesmo dia em que afirmou, pela enésima vez, que a corrupção acabou no Brasil, Jair Bolsonaro viu o flagrante constrangedor de seu vice-líder no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR). Em sua casa, Rodrigues teve que baixar a cueca para agentes da Policia Federal e tirar o dinheiro que havia escondido entre as nádegas.

Digamos, flagrante escatológico. Primeiro, o delegado desconfiou do “grande volume” na parte traseira do short de pijama do senador, acusado de desviar dinheiro público em Roraima. Cansado de guerra, o delegado Wedson Cajé acompanhou o parlamentar até banheiro. Podia ser um celular, valores em dinheiro, qualquer coisa.

Foi feita então uma “busca pessoal” no senador. Coitado do delegado. Da cueca e das nádegas saíram R$ 15 mil. Tinha mais. Coisa de R$ 30 mil. Literalmente, dinheiro sujo. E qual a reação de Bolsonaro, com quem o parlamentar mantinha uma “união estável”, segundo o próprio presidente: “Não tenho nada a ver com isso”.

Ah.. tem sim. Bolsonaro pode ser qualquer coisa, mas não é bobo, nem burro. Só finge ser.

Chico Rodrigues foi nomeado por Bolsonaro como vice-líder do governo. Escolha pessoal do Presidente. E não é o primeiro. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, foi acusado de receber $ 5,5 milhões em propinas, e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, foi alvo de operação da PF em setembro último. Os dois permanecem em seus cargos.

O Capitão também não desconhece que Chico Rodrigues empregava até ontem Léo Índio, primo de seus filhos, amigo íntimo do 03, Carluxo. Tudo em família. O senador foi afastado ontem do mandato pelo STF. Léo Índio pediu demissão.

Até hoje, o Capitão não respondeu porque Queiroz, seu amigo – em prisão domiciliar, com sua mulher Marcia – depositou R$ 89 mil para sua Michele. A pergunta sem resposta viralizou, virou piada, internautas se divertiram. Mas nada de investigação.

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Os filhos Flavio, senador, e Carlos, vereador pelo Rio, continuam enrolados em rachadinhas – tirar dinheiro do salário dos funcionários para engordar a própria conta bancária. Os dois tentam escapar da justiça. As investigações patinam. Também deram em nada investigações nos casos de ministros acusados de corrupção, malversação de dinheiro público, caixa 2.

Em sua live dessa quinta, 15, Bolsonaro repetiu a ladainha: a corrupção acabou no Brasil. “Acabei com a Lava Jato” porque não há mais corrupção no Brasil.

Quem Bolsonaro quer enganar? Eleitores cegos e surdos?

Não será por muito tempo. A Transparência Internacional disparou, há dois dias, alertas pelo mundo contra a “progressiva deterioração do arcabouço anticorrupção no País”. Relatórios contundentes da ONG foram enviados à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE).

Há esperança. Por enquanto, nos restam os memes, rir da nossa própria desgraça.

 

Mirian Guaraciaba é jornalista

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