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Uma morena de abalar o mercado: o divórcio de Jeff Bezos

A paixonite do homem mais rico do mundo preocupa investidores porque ele se casou no tempo em que nem pensava em contrato pré-nupcial

Por Vilma Gryzinski - 12 jan 2019, 08h30

Os muito ricos são diferentes de nós e ninguém é mais diferente do que Jeff Bezos, o primeiro homem a ter uma fortuna acima de 100 bilhões de dólares, considerada a maior da história moderna.

Ao se apaixonar por Lauren Sánchez e comprovar que nem um homem de 137 bilhões de dólares escapa de ter a intimidade exposta (nem do inevitável ridículo das mensagens privadas: “Eu quero cheirar você, quero te respirar. Quero te abraçar apertado, beijar seus lábios Eu te amo, estou apaixonado por você”), Bezos também deixou o mercado, já vivendo uma fase montanha-russa, em estado de ansiedade.

Bezos tem 16% das ações da Amazon, a empresa que fundou na garagem de casa e hoje é a maior do mundo em valor de mercado.

Pela lógica, a mulher dele, MacKenzie, não vai querer abalar o valor da empresa, influenciado pela posição do marido, o superadministrador mais exigente do mundo.

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Mas todo mundo sabe que a lógica nem sempre predomina em processos de divórcio. Ainda mais quando envolvem infidelidade exposta para o mundo inteiro, como fez o tabloide National Enquirer ao seguir Bezos durante meses, registrando seus múltiplos encontros com a ex-apresentadora de televisão.

Para complicar, Lauren Sánchez, de quase inacreditáveis 49 anos e pimenta latina suficiente para o quadradão Bezos mandar fotos íntimas, era casada com um conhecido, o empresário artístico Patrick Whitesell, e os casais chegaram a sair juntos.

Lauren começou a carreira como repórter da Fox – com todos os requisitos básicos, incluindo implantes GG — e foi apresentadora do programa cujo formato deu origem ao Dança dos Famosos.

Tem habilitação de piloto e uma agência de filmagens aéreas chamada Black Ops, uma provocação com as operações militares clandestinas (“Sua energia, ideias, competência e ESPÍRITO me deixam ligado”, derreteu-se o senhor Amazon).

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“Uma beleza”

O perfil é bem diferente do de MacKenzie, formada em literatura em Princeton, autora de dois livros de ficção, mãe de quatro filhos — três meninos e uma menina adotada na China — e, como exige o manual de milionários americanos, filantropa em larga escala.

Os dois se conheceram quando Bezos a entrevistou para uma vaga num banco de investimentos, em Nova York. Em três meses estavam noivos e em seis, casados. Mudaram-se para Seattle, no estado de Washington.

Pelas leis desse estado, casais sem contrato pré-nupcial dividem meio a meio todo o patrimônio construído em comum.

É por isso que o divórcio deixa investidores ressabiados, apesar do tom amistoso do anúncio, pelo Twitter, de que vão continuar a ter um futuro maravilhoso como “pais, amigos, parceiros em empreendimentos e projetos”.

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“Boa sorte. Vai ser uma beleza”, ironizou Donald Trump, que entende de divórcios complicados e tem um contencioso com Bezos, a quem acusa de abusar das vantagens do serviço de correios e da posição de dono do Washington Post, jornal onde tem tratamento preferencial ao contrário.

Detalhe: Trump é amigo do dono da National Enquirer, envolvido no caso dos pagamentos de cala-boca a amantes loucas para falar — ou ficar quietas, dependendo das quantias envolvidas.

Além de ter dividido 25 anos com o marido, MacKenzie Bezos fazia a contabilidade nos primeiros tempos da Amazon, um negócio que começou na garagem da casa do casal com a venda online de livros.

Como os outros gênios tecnológicos que criaram os impérios digitais contemporâneos, ele já tinha uma boa visão de onde queria chegar, embora dominar o mundo talvez ainda não estivesse bem explicitado.

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Só queria um nome horroroso — Cadabra, tirado da invocação universal dos mágicos —, mas acabou aceitando a inspiração do Rio Amazonas.

Jeffrey Preston Jorgensen tinha um bocado de coisas para se dar mal na vida. A mãe era uma adolescente de 17 anos quando se casou com um equilibrista de circo, rapidamente desaparecido no mundo.

O pai biológico voltou a entrar na história quando a ex-mulher o procurou, pedindo sua autorização para que o filho fosse adotado pelo novo marido, o jovem cubano Miguel Bezos. Concordou.

Gênios adotados

Ted Jorgensen só ficou sabendo que era o pai de Jeff Bezos no fim da vida, quando um jornalista que estava escrevendo uma biografia do dono da Amazon o localizou no Arizona. Tinha até esquecido do filho. Dono de uma loja de bicicletas, havia feito o caminho oposto, tomando como seus os quatro filhos da segunda mulher.

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É claro que os palpiteiros amadores da psicologia — ou seja, toda a humanidade — especulam se a ausência do pai foi um fator que ajudou no desejo de superação e na propulsão para o sucesso.

Principalmente considerando-se que Steve Jobs, da Apple, e Larry Ellison, da Oracle, também foram adotados e nunca se interessaram por conhecer os pais biológicos.

Dos dez homens mais ricos do mundo, seis foram do zero ao infinito criando instrumentos da era digital que não existiam e, pela inovação, se transformaram em monopólios.

Bezos difere dessa nova plutocracia porque na verdade tem “coisas”, uma enorme quantidade de galpões gigantescos onde ficam armazenadas a infinidade de coisas que é possível comprar pela Amazon. No ano passado, ultrapassou o número de 600 mil funcionários.

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Também não faz o gênero bonzinho, como os donos do Facebook ou do Google. Os empregados temporários ou do nível menos especializado trabalham muito e ganham pouco. Os mais qualificados ganham muito e trabalham mais ainda.

Bezos tem muitos críticos à esquerda, pelo regime de trabalho e os malabarismos fiscais.

Tenta aplacá-los com a atitude agressivamente progressista do Washington Post, que disputa com o New York Times o maior prêmio de todos: quem vai derrubar Trump primeiro.

O jogo ficou mais animado com a revelação de que o FBI investigou Trump como um possível aliado ou até agente da Rússia — vários passos além da investigação até agora conhecida, sobre uma hipotética colaboração para derrotar Hillary Clinton.

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Além de impichar Trump, Bezos também quer popularizar as viagens espaciais, outra obsessão dos bilionários high tech. E “dormir com você, acordar amanhã com você, ler o jornal com você e tomar café com você”, segundo uma das mensagens a Lauren, precedida por desejos um pouco mais movimentados.

Está disposto a pagar caro por tudo isso. O mercado só torce para quem coloque a mão no bolso de 137 bilhões seja apenas ele.

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