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Trump tem que tomar uma atitude; já imaginaram ouvir isso?

Não é opcional: ataque com drones que paralisou metade do processamento de petróleo da Arábia Saudita não pode passar em branco

“Se eu for ficar preocupado, provavelmente vou ter que partir para o Prozac.”

A resposta, claro, provocou risadas.

O novo ministro do Petróleo da Arábia Saudita, um país que praticamente só precisa desse ministério, estava falando das projeções de queda do consumo por causa da praga da recessão que ronda o mundo.

Mas é claro que todo mundo entendeu a alusão indireta ao grande ataque com drones, no sábado, 14, contra uma instalação de processamento primário de petróleo.

É esta a preocupação número 1 na cabeça de todo mundo, inclusive do príncipe Abdulaziz bin Salman, um ministro que é muito mais do que ministro, como filho do rei já muito além do outono e meio-irmão do monarca executivo.

A hipótese de que o ataque tenha sido bolado e executado por uma das partes de um conflito que tantos gostariam de nem ouvir falar, os rebeldes xiitas do Iêmen chamados houthis, não pode ser descartada.

O que não significa que seja extremamente improvável.

O ato de guerra, mascarado sob uma tática de despistar a autoria que nem as almas mais puras engolem, cai diretamente no colo do Irã.

E mostra uma escalada calculada. O plano, iniciado com ataques isolados de drones e minas em petroleiros no Golfo Pérsico, atingiu no sábado uma escala que não pode ser ignorada, como muitos sauditas gostariam, empurrando a responsabilidade para os Estados Unidos.

Apesar da conhecida tibiez, os sauditas estão certos.

Cabe aos Estados Unidos, como superpotência global garantidora do livre tráfego marítimo que mantém o mundo andando, responder a um ato de guerra que afetou metade do processamento de petróleo da Arábia Saudita e aumentou preços e nervosismo.

Isso quando a instabilidade da disputa comercial entre Estados Unidos e China já está dando nos nervos do mundo inteiro – e nas perspectivas anêmicas, quando existem, de crescimento econômico.

Tendo cancelado, no último minuto, um ataque retaliatório pelos atos de sabotagem anteriores do Irã contra seus rivais regionais, Donald Trump agora está passando por fraco.

Só quem fala “retórica belicosa” toda vez que se refere a Trump fica surpreso com isso.

Trump quer apertar o Irã para renegociar o acordo nuclear e acalmar a região.

Mas rejeita uma intervenção militar em grande estilo. Ainda mais tendo eleição presidencial no ano que vem.

Além de cancelar a retaliação, Trump demitiu John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional abominado pelo regime iraniano, e propôs um encontro de cúpula com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, durante a assembléia geral da ONU.

Pontos fracos

Pode existir, e existe, quem veja nisso atitudes conciliadoras. O regime iraniano vê sinais de fraqueza.

Sem contar que, mesmo se quisesse, Rouhani não teria autoridade para decidir sobre um assunto tão vital.

No Irã, paira acima de tudo e de todos o Líder Supremo, Ali Khamenei, o sucessor do aiatolá Khomeini.

Quando os homens de turbante dizem que os Estados Unidos são o “grande Satã”, pregam “morte à América” e juram que Israel será um dia varrido do mapa não estão exercitando a “retórica belicosa”.

Dependendo do momento e de seus interesses, podem assumir atitudes menos agressivas, mas tudo o que dizem é mais do que exatamente o que acreditam.

Está no próprio fundamento da revolução islâmica à moda xiita.

Sem morte à América e a Israel, a coisa toda despenca.

Inclusive porque os xiitas são extremamente minoritários – em torno de 10% dos muçulmanos.

Uma estratégia que unifique o país, mesmo quando os mais rebeldes chamem Khamenei de ditador e gritem até, inacreditavelmente, “Morte à Palestina”, como já aconteceu, é vital.

Não é muito diferente, na estrutura, do que aconteceu com o comunismo na Europa e partes da Ásia.

Marxistas mais estritos acreditam que, no momento em que a ideia da revolução permanente e da propagação universal do comunismo foram contidas, a semente da autodestruição estava plantada.

É claro que a ineficiência inerente à abolição das liberdades econômicas, inclusive e acima de todas a de propriedade, fica fora desse raciocínio.

Os cabeças do regime iraniano são agentes racionais, apesar da impressão de serem levados pelo fervor religioso – isso é coisa para as massas.

Mexem suas peças estudando muito bem as reações do adversário. Imagine-se como calculam explorar um presidente americano vacilão.

Quem entra na mesa e só blefa, entrega o jogo logo.

Quase inacreditavelmente, o New York Times, que Trump considera como os quatro cavaleiros do Apocalipse numa só pessoa, reconheceu isso de maneira indireta.

“A linha dura iraniana considera a falta de coerência de Trump um ponto fraco”, disse ao jornal um acadêmico especialista no assunto, Ali Ansari, professor da St. Andrews da Escócia.

Pois é, até no Times está saindo que o fogo no Oriente Médio não é para fracos. Trump inclusive.

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