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Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Quem são os “antifas” que estão tocando o terror nos EUA?

O grupo de ultra-esquerda sequestra os protestos e comanda a violência resumida assim por uma manifestante negra: ‘Vão por a culpa em nós’

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 30 jul 2020, 18h53 - Publicado em 1 jun 2020, 13h25

É triste ver a revolta e os protestos legítimos pela morte de George Floyd se tornarem um instrumento de radicalização, como vários manifestantes começam a perceber.

Uma das cenas mais impressionantes é o de duas menininhas vestindo as roupas pretas, com mochila nas costas, confrontadas por uma mulher negra quando faziam pichações num Starbucks.

“Não façam pichações aqui”, diz a mulher, uma professora usando máscara cirúrgica. “Vão por a culpa em nós. Vão por a culpa nos negros”.

Com condescendência explícita, uma das meninas explica que estão “fazendo isso por vocês”.

“Então não façam isso por nós” é a resposta, entre revoltada e impotente, da mulher.

Em Washington, um grupo de manifestantes pegou um dos moderninhos mascarados que tentava arrancar pedaços da pavimentação da rua para jogar e o entregou à polícia. “Levem esse ****”, propuseram.

Como aconteceu na época dos protestos de 2016 em São Paulo, muita gente leva um susto diante da violência e da capacidade de comando das “manifestações que começam pacíficas e depois degeneram” – segundo o chavão, como se a “degeneração” não estivesse muito bem planejadas.

Eram do Block Bloc, hoje são os Antifa. 

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Basicamente, são a mesma coisa: grupos de jovens, em geral de classe média, que se identificam com a ideologia “contra tudo e contra todos” e sentem um prazer anárquico em quebrar coisas e confrontar a polícia.

No Brasil, hoje, têm uma presença crescente em torcidas de futebol.

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Os antifas, forma sintética de antifascistas, surgiram originalmente na Alemanha da época da República de Weimar.

Foram criados pelo Partido Comunista alemão como uma espécie de tropa de choque. Só o nome já dava arrepios: Antifaschistische Aktion.

Todo mundo sabe o que aconteceu depois.

A denominação ressurgiu na Alemanha e se espalhou por outros países europeus na década de oitenta, na época em que estava na moda ocupar prédios e ser de extrema esquerda.

Os grupos verticalizados como a Facção do Exército Vermelho (Grupo Baader-Meinhoff), na Alemanha, e as Brigadas Vermelhas, na Itália, tinham sido dissolvidos pela história e pela ação policial de inteligência.

Sem armas de fogo, com um modus operandi horizontalizado e com a tática de surgir quando há conflagrações e sumir em tempos mais calmos, Black Blocs ou Antifas ganham espaço pela dificuldade de identificação e a facilidade de adesão.

Pequenos grupos de militantes conseguem conduzir a massa para o rumo da violência puramente pelo efeito contágio. Um começa a jogar pedras, outro investe contra a polícia e a dinâmica das manifestações vira outra coisa.

Evidentemente, os protestos contra a morte de George Floyd têm diferentes camadas de adesão, desde jovens simplesmente revoltados com a violência de conotação racial até os aproveitadores ocasionais, que chegam ir de carro para acomodar o produto dos saques.

Os antifas – pronunciado antifás, não antífas, como dizem os americanos – ofuscaram grupos mais conhecidos, como o Black Lives Matter, onde brancos têm que ficar na última fileira.

Agora, mais uma vez, rapazes e garotas de pele clara estão na primeira fila. 

Além de sequestrarem os protestos, sequestraram também a denominação antifascista, como se fossem donos dela.

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