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Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Quem foram primeiras pessoas a saber da morte da princesa Diana

Reconstrução dos momentos finais da princesa mostram as reações e o choque dos que a acompanhavam de perto ou de longe

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 23 jun 2021, 10h40 - Publicado em 23 jun 2021, 08h41

Os dois filhos de Diana Spencer, que passou para o mundo dos mitos como a princesa de Gales, vão se encontrar no começo do próximo mês para inaugurar uma estátua da mãe.

Será um encontro bem complicado. William e Harry estão, na prática, rompidos desde antes que o caçula resolveu largar tudo e ir morar numa mansão de gosto duvidoso na Califórnia com Meghan, a mulher que o ajudou a se afastar da família real.

A inauguração e o encontro entre os irmãos já estão atraindo uma enorme atenção, mais uma vez, para a história trágica da morte precoce de Diana, em 31 de agosto de 1997, num acidente num túnel de Paris na Mercedes dirigida em alta velocidade por um motorista que não deveria estar lá, mas cumpriu ordens do namorado da princesa, Dodi Al Fayed.

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Diana tinha apenas 36 anos, a idade de Harry hoje.

O jornal Daily Mail está fazendo uma série de reportagens sobre sua morte. E, por incrível que pareça num caso que já foi vasculhado por todos os ângulos possíveis, ainda conseguiu levantar informações novas.

Já mostrou, por exemplo, como o então chefe da investigação sobre a morte da princesa leu um bilhete para o príncipe Charles em que Diana dizia, para seu mordomo de confiança que ela seria morta por “falha nos freios e ferimentos na cabeça”.

A princesa estava obcecada pela ideia de que o marido, de quem já havia se separado, pretendia se livrar dela para poder se casar com a governanta dos filhos, Tiggy Legge-Bourke. Achava que Camilla também estava sendo enganada por Charles.

É muito possível que a ideia tenha sido plantada por Martin Bashir, o jornalista da BBC que inventou várias histórias absurdas para ganhar a confiança – e uma entrevista-bomba – de Diana.

O bilhete de Diana alimentou teorias conspiratórias sobre sua morte que persistem até hoje. Por causa das suspeitas, insufladas principalmente pelo pai de Dodi, o milionário egípcio Mohammed Al Fayed, a polícia inglesa teve que investigar sua morte, acabando por colocar seu ex-diretor, John Stevens, na delicada posição de “entrevistar” o herdeiro do trono e perguntar a ele se sabia por que a ex-mulher havia escrito o bilhete tão comprometedor.

Charles disse que não sabia. Depois, rubricou uma transcrição da conversa.

Ao receber o policial, ele havia perguntado majestaticamente: “Como está indo o inquérito? O que o senhor quer de nós hoje?”.

Stevens também fez entrevistas com Mohammed Fayed. O milionário, que hoje tem 92 anos, o presenteou com uma embalagem contendo os testículos de um veado abatido em sua propriedade na Escócia, sugerindo que lhe dariam “força e coragem na sua investigação”. Além de “melhorar seu desempenho na cama”, claro. 

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Parece uma história inventada, como tantas outras relacionadas a Diana e seu fim tão triste. Em outra dessas reconstruções, o Mail relata como o médico intensivista Frédéric Maillez entrou no túnel parisiense imediatamente depois do acidente com a Mercedes, vindo com o namorado de uma festa de aniversário.

Maillez prestou os primeiros socorros à “mulher muito linda” que ele não identificou. O médico estranhou a quantidade de fotógrafos em volta do carro e ouviu que a mulher acidentada falava inglês. Tentou animá-la em inglês. Quando a ambulância com a equipe de emergência chegou, relatou o que havia encontrado e se afastou. Foi embora para casa ainda sem saber a identidade de Diana e começou a tentar tirar o sangue de seu terno branco.

O sargento bombeiro Xavier Gourmelon, da equipe de atendimento de emergência, também não reconheceu Diana. Viu que ela falava e se mexia. Não aparentava nenhum ferimento. “Ela disse em inglês: ‘Oh, meu Deus, o que aconteceu?’. Tentei acalmá-la. Segurei a mão dela”, contou.

Quando ela foi passada para o colchão de ar do serviço de emergência, sofreu a primeira parada cardíaca. Tinha uma ruptura da veia pulmonar esquerda provocada pelo impacto do acidente e já estava com hemorragia interna, embora as primeiras equipes não soubessem. Morreria disso.

Diana já havia sido identificada. A primeira autoridade britânica a se deslocar para o hospital foi o cônsul-geral em Paris, Keith Moss, avisado pelo diplomata de plantão e pelo chefe de polícia de Paris. Foi ele quem avisou o embaixador britânico, Michael Jay.

Quando a gravidade dos ferimentos sofridos por Diana ficou clara, depois de um agonizantemente lento percurso até o hospital Pitié-Salpêtrière, o embaixador pediu que fosse chamado um padre anglicano.

O chefe da portaria do hospital recorreu Yves-Marie Clochard-Bossuet, o capelão católico de plantão, em casa, naquela noite. O padre,, desconfiado exigiu saber quem era a pessoa envolvida na emergência – e achou que o chefe da portaria estava bêbado. Só foi atender no segundo chamado dele.

Quando entrou na ala de emergência, a cirurgia de tórax aberto e as tentativas de reanimação já estavam chegando ao fim. Os médicos haviam se dado  por vencidos, depois de acabar com o estoque de adrenalina da emergência e fazer uma hora de massagem cardíaca no coração que não respondia mais. O embaixador pediu a Clochard-Bossuet que orasse e velasse por ela enquanto não achavam um padre anglicano.

Juntos, foram ao quarto onde estava o corpo de Diana, coberto até o pescoço por um lençol .“Ela estava completamente intacta. Nenhuma marca, nenhum hematoma, nenhuma maquiagem. Completamente natural. Era realmente uma mulher muito bonita e parecia que quase se poderia falar com ela”.

O padre começou a rezar. E não saiu do lado de Diana durante dez horas. 

Do lado de fora do hospital, o ministro do Interior da França, Jean-Pierre Chevènement anunciou às 4,41 da manhã para os jornalistas que já se aglomeravam que Diana estava morta.

Monsef Dahman, então um jovem cirurgião da emergência do hospital,  o primeiro médico  a abrir o tórax de Diana para que o professor Alain Pavie suturasse a veia rompida, saiu do centro cirúrgico exausto e frustrado. 

Só na manhã seguinte notou que os tamancos brancos de borracha que usava estavam manchados de sangue. Um homem, francês, o abordou e disse que queria comprá-los. “Eles têm sangue azul”. Dahman recusou a proposta absurda, exemplo das muitas insanidades que a figura de Diana provocava.

“É tão terrível que essa bela pessoa tenha tido um fim tão trágico”, resumiu o médico sobre seus sentimentos desde então.

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