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Príncipe enrascado, suicídio suspeito e modelos brasileiras

Andrew já não está em idade de criar problemas para a mãe, mas cada vez se enrola mais no caso de Jeffrey Epstein, o caçador de adolescentes lindas

Até que demorou para aparecerem referências a modelos brasileiras.

Se Jeffrey Epstein mantinha “caçadores” nos Estados Unidos e na Europa, procurando meninas lindas, altas, magras e muito jovens para lhe fornecer serviços sexuais, os celeiros de beldades nacionais não ficariam de fora.

Epstein já está no plano inferior, desejavelmente muito inferior, via o suicídio que parecia impossível, numa cela de prisão em Nova York.

Seu recrutador, na Europa e no Brasil, sob a fachada de agenciador de modelos, continua muito vivo.

O francês Jean-Luc Brunel fez um giro por agências brasileiras e uruguaias apenas três meses antes de Epstein ser preso em Nova York, no começo de julho, ao chegar de jatinho de Paris.

Em dois meses, o multimilionário estava morto por enforcamento autoprovocado, segundo o laudo dos legistas; quinze funcionários da prisão afastados ou investigados e, entre tantos amigos célebres, o mais enrolado era o príncipe Andrew.

Feche os olhos e pense na Inglaterra, diz a lenda sobre o conselho conjugal dado a mulheres recém-casadas na era vitoriana (a própria rainha Vitória escreveu longamente sobre as alegrias da vida marital que descobriu com o príncipe Albert).

Para Andrew, a tática de esperar estoicamente o assunto acabar não está dando certo.

Nem a de emitir uma declaração do tipo escrita por uma junta de advogados, assessores de imprensa e gestores de crise.

Mesmo com tanta assessoria, esquivar-se, obscurecer fatos com palavras e, resumidamente, mentir não foi uma boa ideia.

Ao contrário de tantas outras pessoas que frequentavam as mansões, os aviões e a ilha de Epstein, Andrew “em nenhum momento” viu, testemunhou ou suspeitou do “comportamento do tipo que subsequentemente levou a sua prisão e condenação”.

Andrew, infamemente, ficou hospedado e foi fotografado na companhia de Epstein depois da primeira e amena condenação por um crime relativamente menos grave, induzir menores à prostituição.

Continuou a viajar no jatinho de Epstein. Foi homenageado numa festa com convidados como Woody Allen – acreditem. Formava uma espécie de trio com Epstein e Ghislaine Maxwell, a ex-namorada que virou parceira de sexo grupal e de recrutamento de menores.

Apareceu num vídeo saindo à porta da espetacular casa, a maior de Manhattan, dando tchauzinho para uma morena bonita, a filha de um ex-primeiro-ministro australiano de 27 anos – uma anciã para os padrões de Epstein.

Há anos uma ex-menina de Epstein, Virginia Roberts, menciona ter sido “presenteada” em três ocasiões para fazer sexo com Andrew, que diz nunca ter “tido contato” com ela.

Agora, um ex-piloto do “Expresso Lolita” disse que ambos estavam num voo comandado por ele para a ilha de Epstein.

Massagem dupla

Os limites do bizarro são quebrados constantemente nesse caso. O mais conhecido agente literário de celebridades do mundo científico, outro público cultivado por Epstein a poder de festas e doações, contou ter visto ambos, o milionário e o príncipe, sentados lado a lado, tendo os pés massageados por duas lindas jovens russas.

O agente é John Brockman e o episódio foi contado num email a Evgeny Morozov, um bielorrusso baseado nos Estados Unidos que pesquisa e escreve sobre efeitos da Internet.

Brockman contava ter visto Epstein com um cara de terno com suspensórios chamado Andy. Demorou algum tempo para perceber que era o príncipe, o segundo filho da rainha Elizabeth, que tem o título de duque de York.

Andrew reclamava que Albert de Mônaco “trabalha doze horas por dia” e, depois, leva a vida como quiser. Ninguém diz nada. Mas se fosse com ele…

Reclamava de barriga cheia. Desde que se divorciou de Sarah Ferguson – Epstein pagava umas contas dela também -, o príncipe faz o que quer como homem sem compromisso, exceto com os leais súditos que o bancam.

Não estabeleceu nenhuma relação séria com outra mulher. Dizem supostos bem informados que assim podia levar uma vida sexual livre, da mesma forma que Epstein.

O milionário nunca se casou nem teve filhos. Deixou a fortuna de mais de 550 milhões de dólares para o irmão.

Andrew pode ser louco por sexo, mas o ponto fraco mesmo é dinheiro.

Ao contrário do que se imagina, os membros da família real vivem em palácios, ganham mesadas, têm acesso a joias fabulosas e todos os outros privilégios.

Mas, comparados com as fortunas dos grandes milionários, são pobretões. Sem jatinho particular, sem ilha idem, sem iate, sem o estilo de vida que centenas de milhões ou vários bilhões de dólares proporcionam.

Basta querer, no entanto, para que chovam “amigos” oferecendo isso tudo.

São os favores excessivos que estão envenenando a admiração popular pelo príncipe Harry e sua mulher, Meghan.

Quando ela estava grávida, aceitou de amigas como Amal Clooney e outras um pacote de chá de bebê em Nova York com gastos totais avaliados em 500.000 dólares, incluindo o trajeto em avião particular.

Agora, viajaram de jatinho para férias de sonho: alguns dias numa casa em Ibiza normalmente alugada por mais de 100.000 euros por semana, depois o castelo de Elton John no sul da França. O avião é do cantor.

Em vários sentidos, Andrew foi o Harry de seu tempo.

O segundo filho, mais desencanado do que o irmão criado para ser rei, cercado de mulheres bonitas, piloto de helicóptero em zona de guerra (Andrew nas Malvinas, Harry no Afeganistão).

Até uma atriz americana, Koo Stark, ele namorou.

A mesma tensão agora existente entre Harry e William foi revelada mais tarde entre Andrew e Charles.

Talvez mais protegido pela rainha, que foi uma mãe estrita e pouco amorosa com Charles, Andrew cava o lugar dele e das filhas, Eugenie e Beatrice, às vezes contra a vontade do irmão, preocupado com a imagem da família real e interessado em concentrar tudo nele e em sua linhagem.

Trigêmeas

Em 2017, a rainha deu ao filho 02 uma honraria excepcional: tornou-o coronel dos granadeiros no lugar do pai, o príncipe Philip, que largou tudo, inclusive a mulher, e foi morar no interior.

Andrew passou a ter direito a usar o chamativo uniforme vermelho com chapéu de pele de urso (animais abatidos legalmente no Canadá) e passar a tropa em revista em ocasiões solenes como o aniversário oficial da rainha.

Por causa do escândalo Epstein em sua primeira versão, Andrew teve que renunciar ao cargo de emissário comercial que havia criado para si mesmo.

Viajava pelo mundo com uma equipe pequena, mas incluindo um valete encarregado de transportar uma tábua de passar especial para as calças do príncipe.

Fez amizade com xeques, potentados e ditadores. Boas amizades. Quando precisou vender a casa presenteada pela mãe no casamento, conseguiu um valor acima do mercado: 15 milhões de libras. Comprador: o genro do presidente do Casaquistão.

O suicídio de Epstein, ainda e talvez para sempre cercado de suspeitas, desatou uma onda de novas revelações sobre o comportamento bizarro e repulsivo do milionário.

Entre as declarações à justiça feitas por Virginia Roberts, que tiveram o sigilo levantado pouco antes do suicídio: Jean-Luc Brunel “comprou” dos pais pobres trigêmeas francesas de 12 anos para presentear Epstein.

Segundo Virginia, o milionário passou dias falando da beleza das três irmãs e das variantes sexuais que praticaram.

O príncipe nunca desconfiou de nada, embora Epstein vivesse o tempo todo cercado de adolescentes, em constante sistema de rodízio?

Viajava com ele a lugares como a Tailândia para tratar de negócios do reino?

Talvez venham a ser encontradas respostas diretas a tantas dúvidas. E estejam nos emails de Epstein. Agora em poder do FBI.

Mesmo morto, o milionário ainda pode causar um estrago tremendo.

Para piorar, Jean-Luc Brunel continua bem vivo, três modelos já o acusaram de estupro e a justiça francesa abriu uma investigação. Daí podem aparecer jovens brasileiras que tenham sido eventualmente pegas na teia.

Não é só Andrew que tem motivos para tremer, considerando-se que a lista de “amigos” de Epstein ia de Bill Clinton a Donald Trump.

Mas, no momento, o príncipe é a figura mais conhecida cujas mentiras sobre tudo o que envolvia Epstein estão sendo cobradas.

A conta é grande.

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