Clique e assine com até 92% de desconto
Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Por que Trump deveria ser reeleito, segundo seus defensores

Economia tal como era antes do coronavírus, coragem ao peitar a China e até a guerra cultural são os principais argumentos dos trumpistas nada arrependidos

Por Vilma Gryzinski 2 nov 2020, 08h23

A vantagem de Joe Biden nos últimos momentos da campanha presidencial está diminuindo em alguns estados, mas continua ser difícil achar defensores de Donald Trump no mundo acadêmico, intelectual, artístico e midiático.

Só para dar uma ideia da muralha de oposição a Trump: dos 104 maiores jornais americanos, apenas seis publicaram editoriais a favor de Trump.

Mas vale a pena garimpar as manifestações de apoio à reeleição do presidente em nome da diversidade de pensamento e da obrigação de informar.

Algumas delas:

1- “A economia é sempre o principal assunto das eleições, mas nunca foi mais do que esse ano”, escreveu o New York Post, raro caso de jornal remotamente identificável a apoiar a reeleição do presidente.

Depois de resumir os sucessos da era pré-coronavírus em matéria de redução do desemprego a meros 3,5%  e do aumento real dos salários, o editorial pergunta:

“Como Trump fez tudo isso? Primeiro, ao acreditar no livre mercado. Ele lutou pela diminuição das alíquotas de imposto para empresas para um número mais de acordo com o resto do mundo industrializado. Cortou regulamentações onerosas, principalmente as introduzidas no apagar das luzes do governo do presidente Barack Obama. Ele racionalizou os processos de licenças que atrasariam projetos de infraestrutura em anos, às vezes décadas”.

“Podemos retomar a explosiva criação de empregos, o aumento dos salários e a prosperidade generalizada que tínhamos antes da pandemia. Podemos ter liberdade econômica e oportunidades, e podemos resistir à cultura do cancelamento e da censura”.

“Podemos deixar para trás o annus horribilis de 2020 e fazer a América grande de novo, de novo”.

Detalhe: o Post, que pertence a Rupert Murdoch, o magnata que nem sempre se dá bem com Trump, foi o jornal que “vazou” os e-mails de Hunter Biden, o filho problema de Joe Biden, implicando aparentemente a família em comportamentos escusos.

  • 2- “O senhor Trump foi perfeito? Não. Afinal de contas, isso é política. Mas a lista de realizações no primeiro mandato não tem comparação com a de qualquer presidente dos tempos modernos”, diz o editorial do Washington Times, um um dos poucos jornais de direita  pura e dura.

    Em 2016, o jornal não endossou nenhum candidato, insatisfeito com a persona de Trump, uma “estrela de reality show exibicionista e vulgar”.

    3- Num dos parágrafos mais longos da história do jornalismo, Conrad Black, ex-magnata de imprensa, enumera as qualidades que, na sua opinião, fizeram de Trump o quarto melhor presidente da história americana:

    “Submetido a uma perseguição sem precedentes através de manobras inconstitucionais para sabotar e melar  sua eleição e a um impeachment espúrio, o senhor Trump eliminou o desemprego e as importações de petróleo, reduziu em 90% a imigração ilegal – um profundo e inabordável escândalo nacional -, saiu de acordos insanos como o climático de Paris e o nuclear com o Irã, reduziu quase todas as alíquotas de imposto de renda, desregulamentou amplamente o comércio, está reavivando o conceito de não-proliferação nuclear em relação ao Irã e à Coreia do Norte, renegociou com sucesso os principais acordos comerciais do país, reconheceu e ganhou apoio internacional para a contenção do desafio geopolítico representado pela China, e avançou destemidamente contra a maré politicamente correta ao apoiar escolas não-sindicalizadas, impor alguns parâmetros de imparcialidade nas universidades, e suprimir a doutrina de ódio nacional da teoria crítica das raças em instâncias do governo americano”.

    4- “Ele não é um político”, tuitou Kirstie Alley, ex-Cheers, praticamente a única atriz da galáxia a apoiar Trump.

    “Faz as coisas depressa e vai virar a economia rapidamente. É isso aí pessoal”.

    5- Na avaliação de Bernie Marcus, um dos criadores da Home Depot, gigante dos materiais de construção e utensílios para a casa, o desempenho econômico também é uma vantagem incomparável.

    “Antes da Covid, as políticas de Trump melhoraram o bem-estar da ampla maioria dos americanos. O índice de desemprego caiu a níveis históricos, incluindo recordes para trabalhadores hispânicos e negros. Pela primeira vez na história, houve mais postos de trabalho do que desempregados para preenchê-los. Ex-presidiários, deficientes físicos e outros posicionados nas franjas do mercado laboral conseguiram empregos e rumo”, relatou.

    Depois do vírus, “aprovou o Programa de Proteção aos Salários, um dos mais bem sucedidos programas de ajuda econômica da história, salvando mais de cinco milhões de pequenos negócios e 50 milhões de empregos”.

    “O desempenho de Trump é mais impressionante ainda considerando-se que enfrentou o ambiente midiático mais hostil e a maior intransigência democrata da história moderna”.

    Continua após a publicidade

    6- “A resiliência e a coragem desse homem não têm limites. Acrescente-se que ele cumpriu todas as suas promessas”, elogiou Nigel Farage, o Senhor Brexit, outro vitorioso numa batalha que parecia impossível, na onda de “direitização” que, entre 2016 e 2018 produziu fenômenos como Trump, Jair Bolsonaro e o próprio Brexit.

    “Uma vitória de Trump também é central para o modo como o mundo ocidental vai evoluir nos próximos anos. Quem mais terá coragem de enfrentar o Partido Comunista Chinês? Quem mais está preparado para desafiar e escrutinar o Antifa e o Black Lives Matter? Quem mais está preparado para chamá-los do que são: movimentos marxistas? Se for para vencer as guerras culturais nas quais todo o mundo ocidental está atualmente envolvido, será fundamental ter Trump na Casa Branca”.

    7- Victor Davis Hansen, um raríssimo intelectual pró-Trump, fez uma comparação entre as atitudes do presidente e as de Joe Biden e enumerou uma série de perguntas em matéria de política externa.

    “Iria Biden procurar uma acomodação ou uma distensão com a China? Impediria os esforços para obrigar a China a cumprir acordos comerciais internacionais e a assumir seu papel na origem e na disseminação da Covid-19?”.

    “Biden deixaria passar a oportunidade da morte de Qassem Soleimani e de Abu Baghdadi, considerando-se que foi contra cravar Osama Bin Laden?”.

    “Biden mudaria a embaixada americana de volta para Telavive, restauraria a ajuda de milhões de dólares aos palestinos, aceitaria a reivindicação de Bashar Al Assad sobre as montanhas de Golã e aconselharia estados moderados do Golfo a não se aliar a Israel?”.

    “Biden pode muito bem acabar com as sanções e retomar o acordo com o Irã. Mas ele realmente acha que isso preveniria uma bomba iraniana?”.

    “Trump foi o presidente mais auditado, dissecado, examinado e vilipendiado da memória moderna. Desde o primeiro dia no cargo, quando seus telefonemas a líderes mundiais foram vazados, até a armação do impeachment, ele foi demonizado em tempo integral pela mídia”.

    8- Outro intelectual trumpista com a mesma origem, o Claremont Institute, e formado em história da antiguidade, é Michael Anton.

    Ele se tornou uma figura nacional ao publicar, sob pseudônimo, um artigo em que comparava a eleição de 2016 à ação dos passageiros comuns que se rebelaram contra os sequestradores da Al Qaida que haviam dominado o voo 93 da United, no trágico Onze de Setembro de 2001.

    Por causa dos passageiros, conscientes de que iriam morrer de qualquer maneira, o avião caiu antes de chegar ao alvo pretendido em Washington, o que aumentaria barbaramente o número de vítimas e o escopo político daquele dia sombrio.

    Com sua intervenção, evitaram uma catástrofe que teria sido muito maior e foi essa a metáfora usada por Anton para definir o que seria a eleição de Hillary Clinton.

    O artigo rendeu a Anton um período no governo, como porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, do qual ele saiu, excepcionalmente, sem falar mal do presidente. 

    Ele continua a ver, no caso de uma derrota de Trump, o caminho aberto e altamente dramático para uma distopia em que todos os valores fundamentais dos Estados Unidos, do direito às armas à preservação da Constituição,  acabarão sugados por “uma tirania perpétua e universal”.

    “O sonho esquerdista agora está próximo de ser realizado? Pode o caldeirão tóxico de drogas, pornografia, tecnologia e todos os instrumentos que a classe dirigente usa para pacificar os cidadãos e coletivizar o pensamento humano alcançar o que as tiranias do século passado não conseguiram?”.

    “Se o presidente Trump perder, vamos ficar sabendo”.

    9- Talvez nunca um presidente americano tenha provocado tantas reações em países fora dos Estados Unidos – tanto de ódio quanto de admiração.

    Os assuntos mais incandescentes nos Estados Unidos reproduzem-se mundo afora, especialmente no que se refere às batalhas culturais.

     O confronto entre esquerdas e conservadores/libertários foi resumido de maneira algo apaixonada por um leitor britânico do Telegraph:

    “Apoio o presidente Trump porque ele odeia as pessoas que eu odeio: os PhDs; os acadêmicos; a brigada do eu-sou-mais-ético-do-que você; a turma do você-tem-que-abrir-mão-de-direitos-em-nome-do-bem-comum; a patota do nós sabemos como você deve viver sua vida e vamos interferir se você não tiver a mesma opinião do que nós em matéria de educação, imigração, taxação e até masturbação, aqueles que podem ser resumidos numa repugnante e imunda palavra: LIBERAIS. Deus abençoe Donald Trump”.

    10- “O presidente Trump demonstrou seguidamente que apoia os agentes da lei e entende as questões que nossos membros enfrentam no dia a dia”. Palavra de um dos maiores sindicatos policiais, o FOP, Fraternal Order of Police.

    Continua após a publicidade
    Publicidade