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Pessoas sorrindo em volta de Trump? Vocês não vão ver isso

Nem em fotos dá mais para confiar: só aparecem as de protestos, mesmo que minúsculos, contra o presidente, enquanto oposição tem surto de violência

Por Vilma Gryzinski 8 ago 2019, 17h54

Sabiam que Donald Trump mandou as bandeiras americanas ficarem hasteadas a meio-pau não em sinal de luto pelos mortos por atiradores em El Paso e Dalton, mas porque a data final, 8/8, significa “Heil, Hiitler”? (A letra agá é a oitava do alfabeto…)

Sabiam que “soldados supremacistas” interpretam as palavras de Trump como “ordens subliminares” para sair e atacar?

Falando em subliminar, sabiam que a supremacia branca é “frequentemente subconsciente” e fica “adormecida” como um vírus?

E que Trump está incentivando uma “carnificina” ao açular “as chamas da supremacia branca”?

Quem falou estas maluquices não foram os viciados em conspirações que passam o dia inteiro na Internet dizendo besteiras.

A associação entre as bandeiras a meio-pau e a saudação nazista foi feita num canal de notícias a cabo por um comentarista contratado, Frank Figliuzzi. Ele trabalhou no setor de contrainteligência do FBI.

“Não estou dando a entender que ele fez isso deliberadamente, mas estou usando isso como exemplo da ignorância sobre o adversário demonstrada pela Casa Branca. O número 88 é muito importante para o movimento neonazista e supremacista branco”, disse Figliuzzi ao apresentador Brian Williams sem ser retirado do recinto de camisa de força.

Outro comentarista contratado, Malcolm Nance, falou sobre as “ordens subliminares” de Trump.

Foi a deputada-estrela da esquerda, Alexandria Ocasio-Cortes, quem mencionou o radicalismo “subconsciente”.

E o mais provável candidato a presidente pelo Partido Democrata, Joe Biden, rasgou a fantasia a respeito da “carnificina” com a assinatura de Trump.

Biden é o mais interessado em quebrar todos os limites da racionalidade  na corrida para culpabilizar Trump pelo tiroteio em El Paso dirigido especificamente contra mexicanos.

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O ex-vice-presidente tem ficha suja por causa de elogios ao bom convívio e trabalho parlamentar em conjunto com supremacistas de verdade quando começou sua carreira no Congresso, ainda na época em que o Partido Democrata representava os estados segregacionistas do Sul.

É uma corrida feita com pleno incentivo dos grandes meios de comunicação, principalmente os canais de televisão.

Um exemplo evidente: uma manifestação com poucas dezenas de pessoas contra a visita de Trump a El Paso foi exibida exaustivamente e artificialmente inflada para parecer a Queda da Bastilha trumpiana.

Para contrabalançar, Trump divulgou fotos e vídeos da visita ao hospital de Dayton, no estado de Ohio, em solidariedade a feridos no tiroteio.

Enfermeiras sorridentes, funcionários amáveis, pacientes felizes em tirar fotos ao lado de Trump e, principalmente, de Melania. Parece um país completamente diferente daquele retratado nos últimos dias.

Alguém viu isso? Não mesmo. A ordem unida é mostrar ódio universal a Trump.

Até a NPR, a rádio pública, sofreu um abalo quando o irmão de um dos mortos em El Paso disse que a vítima, Andre Anchondo, fuzilado ao lado da mulher, era a favor de Trump. Um latino pró-Trump é considerado mais impossível do que unicórnio.

Trump  é estridente, agressivo, divisivo. Fala besteira, exagera no Twitter, entra no campo da discriminação? Sem dúvida nenhuma.

Pelo menos duas vezes falou coisas comprovadamente racistas:. Primeiro, quando disse que o México mandava para os Estados Unidos seus estupradores e criminosos, e não gente de bem – a realidade numérica é bem diferente, apesar da grande quantidade de crimes cometidos por clandestinos.

Segundo, ao sugerir que as quatro deputadas esquerdistas do “Esquadrão”, incluindo Ocasio-Cortes, voltassem aos lugares miseráveis de onde vieram. Todas são americanas e ponto final.

O uso contínuo da palavra “invasão” para descrever as ondas sucessivas de imigrantes clandestinos vindos da América Central – mais de um milhão por ano – não resolve o problema concreto nem ajuda a pacificar os espíritos, inclusive dos estrangeiros legalmente no país.

Mas atribuir a culpa a ele pelos tiroteios demonstra má fé, más intenções e mau jornalismo. E nenhuma dessas coisas é subconsciente.

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