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Operação salva Meghan: jogadas erradas prejudicam duquesa

A máquina de relações públicas da família real quer levantar a imagem da mulher de Harry, mas ela acha que entende melhor do assunto

Faltam 24 dias para a decisão mais momentosa do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial: como vai sair da União Europeia. Isso se a data final não for prorrogada pela simples impossibilidade de que a classe política se entenda a respeito.

Mas o povão quer saber mesmo é como as duquesas divergentes, Kate e Meghan, se comportaram no primeiro encontro desde que aflorou o mal represado rio de ressentimentos mútuos.

O encontro foi num almoço oferecido pela rainha Elizabeth II em homenagem ao filho e herdeiro, o príncipe Charles.

Ninguém vai a Buckingham numa ocasião assim e fica circulando onde quiser, como se fosse uma festinha familiar comum.

Mesmo nesse ambiente de formalidade, com cada membro da família real encarregado de falar com um grupo determinado de convidados, a rígida separação de corpos entre as duquesas e seus príncipes indicou que Donald Trump e Kim Jong-Un pareciam mais à vontade na sua última e malsucedida cúpula.

O mal-estar entre as cunhadas e, pior ainda, entre os irmãos, é apenas um dos problemas da família real.

O ódio digital contra a ex-atriz americana, tachada de falsa e manipuladora pelos “haters”, chegou a tal ponto que os responsáveis pelos três sites da realeza – The Royal Family, Clarence House e Kensington Palace – avisaram que vão bloquear, eliminar e até apresentar queixa à polícia contra os autores de comentários mais virulentos.

Vai dar um trabalho danado. As três contas têm 6,3 milhões de seguidores no Twitter e mais de 12 milhões no Instagram.

São ambientes que abrigavam normalmente os fãs da realeza e apaixonados por tiaras e outras joias de alto calibre, mas foram contaminados pelas reações furiosas de admiradores e críticos da nova duquesa de Sussex.

Meghan tomou o lugar até de Camilla, a mulher de Charles, odiada desde que a plebe a culpou por ter roubado o marido da princesa Diana.

Golpe da barriga

Os “haters” chegam a níveis absurdos, como criticar Meghan por colocar frequentemente as mãos na barriga, um gesto nada estranho a mulheres grávidas.

Os mais malucos afirmam que ela não está grávida de verdade. Usa uma barriga postiça enquanto uma mãe de aluguel gera o filho para ela.

A mesma alucinação chegou a ser dita sobre Kate por causa da impecável forma como se apresenta ao deixar o hospital depois de dar à luz – foram três vezes até agora.

O fato de saber que protagonizaria uma das cenas mais fotografadas do mundo e, portanto, providenciaria cabeleireira, stylist e saltos altos, não influenciou em nada os malucos.

Se saísse de moleton e cara lavada, como as mulheres normais, Kate seria mais criticada ainda.

Nada se compara, porém, à fúria contra Meghan Markle. Criada nas franjas de Hollywood pelo pai, diretor de iluminação; casada pela primeira vez com um produtor e depois protagonista de uma série de canal a cabo, Meghan não reagiu às críticas com o silêncio disciplinado de Kate.

No mundo do show business, os “problemas de imagem” são administrados com entrevistas previamente negociadas nas quais os artistas se passam por vítimas de invejosos ou difamadores.

Como não pode falar publicamente com jornalistas, Meghan passou por cima dos profissionais de relações públicas da família real e combinou com cinco amigos “anônimos” que falaram exatamente a mesma coisa à revista People: ela é uma vítima do pai destrambelhado, Thomas Markle, e da meia-irmã, Samantha, interessados em faturar com a celebridade única que ganhou ao se casar com um príncipe da família real inglesa.

Para reforçar a mensagem, o ator George Clooney, que se aproximou do casal, comparou Meghan à princesa Diana, dizendo que ela estava sendo “caçada”.

Uma comparação errada. Embora os tabloides e correlatos insuflem a boataria – o bebê não vai usar azul se for menino nem rosa se for menina – e paguem por entrevistas de familiares gananciosos, a imprensa de fofocas dá um espaço incomparavelmente menos invasivo a Meghan e Harry. Praticamente não existem fotos de paparazzi do casal.

O que pode ser comparado é a tática de Diana de passar informações em sigilo, para se defender.

Não deu certo para Diana nem para Meghan. O pai dela ficou furioso com as acusações anônimas dos amigos da filha e divulgou uma carta escrita por ela em termos mais duros.

Com razão, aliás: foi o pai quem sabotou o casamento de Meghan, posando para fotos falsamente roubadas e feitas contra pagamento. Para contornar o escândalo, internou-se num hospital e a deixou entrar sozinha na igreja.

Machados virtuais

Em outra jogada que deu errado, a duquesa foi a Nova York para um chá de bebê com as amigas. Ótimas amigas: a tenista Serena Williams pagou a suíte mais cara da cidade e Amal Clooney bancou a carona de jatinho.

O Daily Mail fez uma conta dos custos conhecidos, chegando a um total de quase 500 mil dólares. Muitos leitores espernearam pelos gastos absurdos e o costume exótico. Chá de bebê definitivamente não faz parte da cultura britânica, menos ainda bancados por amigas ricas.

Membros da família real não podem aceitar favores do tipo, embora muitos não cumpram as regras tácitas. Um dos maiores beneficiados por interesseiros milionários foi o príncipe Andrew, tio de Harry, removido do posto oficioso de embaixador de negócios para o Reino Unido justamente pelo excesso de intimidade com “amigos” muito ricos.

Para contrabalançar as críticas, a equipe de relações públicas do príncipe Charles plantou que ele está encantado com a nora, com quem compartilha “o amor pela arte e a cultura”. Ah, sim, Charles também está funcionando como um mentor para ela em matéria de história da realeza.

História é o que não falta, mas é melhor evitar assuntos sensíveis como as consortes complicadas da família real. A mais complicada de todas foi Ana Bolena, a mulher por quem Henrique VIII rompeu com o Vaticano e criou uma nova religião.

Odiada, com razão, pelos defensores da esposa oficial, Catarina de Aragão, Ana era chamada de prostituta e bruxa (“provas”: tinha uma verruga no pescoço e seis dedos na mão).

Quando a fila andou e Ana não teve o herdeiro homem que ele queria, Henrique VIII mandou que fosse julgada por crimes muito mais pesados, como tramar o assassinato do rei, múltiplos adultérios e incesto com o próprio irmão.

Como o objetivo era abrir caminho para outra, Ana foi decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Ainda usava o manto de arminho de rainha. Em consideração a esta posição, o rei trouxe um carrasco da França especializado em usar espada no lugar do machado.

A Torre hoje é atração turística, reis não têm poder fora da esfera da representação simbólica e as mulheres dos príncipes preferem Givenchy ou Alexander McQueen a mantos de arminho.

A imagem de príncipes e princesas é conduzida por profissionais do ramo que, evidentemente, não fazem milagres. Conquistar a simpatia ou a antipatia da opinião pública é uma alquimia complicada, frequentemente impossível de ser manipulada.

Em especial com redes sociais cheias de gente de machado na ponta dos dedos, pronta para decapitações virtuais.

Comentários
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  1. Paulo Bandarra

    Com Duquesa assim a monarquia não precisa de inimigo.

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