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O rei e elas: pior caso é o da Tailândia, que deleta concubina

Problemas com mulheres são comuns, mas monarca tailandês, que já foi fotografado de miniblusa e nomeou o cachorro marechal, bate recorde de escândalo

Por Vilma Gryzinski - 25 out 2019, 14h02

Considerado uma divindade na corrente budista seguida na Tailândia, o rei Maha Vajiralongkorn não é nada santo.

Tem, por exemplo, um fraco por generais. Todas lindas, esbeltas, cobertas de joias e promovidas por ele aos escalões superiores.

Um hábito, visto que seu poodle, Fufu, ganhou a patente de marechal, com roupinha e tudo.

No caso das generais favoritas, elas também são promovidas a companheiras de leito.

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Ou rebaixadas. Menos de três meses depois de ser anunciada como consorte real – na verdade, concubina oficial -, Sineenat Wongvajirapakdi perdeu todos os privilégios e títulos.

Inclusive o de rastejar aos pés do rei de 67 anos, num ritual bizarro, quando foi proclamada amante.

Embora o rei seja tratado com honras excepcionais, com direito a ser saudado de joelhos por todos os súditos, inclusive os da própria família, a linda Seneenat , ex-guarda-costas real exagerou.

Agora, foi dispensada por “deslealdade com a coroa” e “mau comportamento”. Perdeu também as patentes militares. Ou seja, nem pode voltar a pilotar helicópteros ou pra praticar artes marciais como oficial do Exército.

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Sineenat estava com Maha quando ele ainda não havia sido entronizado e foi fotografado na Alemanha, onde morava antes da morte do pai, usando uma camiseta tipo babylook, jeans de cintura bem baixa e várias tatuagens temporárias.

Ah, sim, o querido Fufu ia no colo.

A foto ficou mais bizarra ainda porque Maha estava tomando um avião real, com tapete vermelho e pilotos batendo continência, bem formais.

Pouco tempo depois, Maha deixou a vida de playboy velhusco para assumir o lugar do pai, o comportado e venerado Bhumibol, que conseguiu livrar a Tailândia do flagelo do filho vivendo até os 89 anos.

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Como ninguém é eterno e a monarquia sobrevive da linha sucessória, sejam quais forem os defeitos dos sucessores, Maha acabou assumindo.

Pouco antes da coroação, cheia de cerimoniais misteriosas que misturam tradições budistas e hinduístas, ele se casou, de surpresa, pela quarta vez.

A rainha Suthida, ex-comissária de bordo, tinha chegado à patente de general, como comandante de operações especiais da guarda real.

Apesar dos pontos em comum entre Sineenat e Suthida, inclusive as fardas cerimoniais cobertas de condecorações, rolou uma inimizade entre esposa e concubina.

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O comunicado oficial sobre a dispensa de Sineenat diz que ela “não ficou satisfeita com os títulos concedidos, fazendo todo o possível para subir ao nível da rainha”.

Parece que não foi uma boa ideia.

Mas há poucos motivos para acreditar que outras concorrentes não entrem em cena, considerando-se a carreira de Maha, que se tornou rei aos 66 e demonstrou um gosto pelo poder inesperado para quem só desfrutava dos privilégios da realeza.

Fez uma limpa no alto escalão de funcionários do palácio e militares de alta patente, nomeando gente sua.

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Ao contrário das monarquias constitucionais dos países europeus, a família real tailandesa envolve-se com política e são frequentes golpes militares dados em nome do rei.

Estranhamente, uma irmã de Maha, a princesa Ubolratana, virou aliada do bilionário deposto num desses golpes e tentou ser primeira-ministra pelo partido dele.

O irmão cortou suas asinhas.

Tanto a concubina rejeitada como a esposa atual são plebeias, uma novidade ocidental que também chegou à Tailândia.

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Mulheres com vida própria antes do casamento como Letícia, da Espanha, e Máxima, da Holanda, escolhidas por motivos amorosos e não dinásticos, têm sido um trunfo da monarquia.

Kate também se firmou como uma futura rainha consorte da Inglaterra estilosa, presente e ajuizada.

Em compensação, a família real britânica está pegando fogo com a ruptura interna quase pública que o príncipe Harry e Meghan estão protagonizando.

Harry tem manifestado surtos emocionais que denotam falta de controle. E a última de Meghan foi dar uma perdida num ato oficial do próprio sogro, o príncipe Charles.

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Meghan deixou o futuro rei plantado – e “absolutamente  furioso” – na última hora.

Motivo: soube que haveria câmeras filmando um documentário sobre Charles e não queria que isso interferisse com o próprio programa de televisão e m que ela e Harry desfiaram uma longa lista de reclamações.

O trágico precedente da princesa Diana, que Meghan imagina emular, e a recente entronização de Masako como imperatriz consorte do Japão são exemplos reais das dificuldades enfrentadas por mulheres que se casam com futuros reais.

Diana não aguentou a vida amorosa paralela do marido e o evidente ciúme que ele tinha da popularidade dela.

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Masako enfrentou anos e anos de depressão profunda no ambiente de altíssima exigência da corte imperial japonesa, agravado pela dificuldade para engravidar e, por fim, por ter “apenas” uma menina.

A filha dela não assumirá o trono um dia, no lugar do pai. O único primo terá a precedência.

São problemas inexistentes para o rei da Tailândia, que já tem herdeiro, filho de uma esposa anterior, e pode mudar de consorte a hora que quiser.

Harry e Meghan também têm mais liberdade para seguir a própria vida, mais recolhida, se quiserem.

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E, claro, dispensarem as verbas públicas para despesas oficiais e a pensão de Charles para gastos pessoais.

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