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Irã, Israel, EUA: breve lista sobre os enganos mais frequentes

Até pelos padrões habituais de confusão informativa, é enorme a quantidade de equívocos sobre acordo nuclear rompido e confrontos no Oriente Médio

É possível discutir o assunto até soarem as trombetas do Apocalipse, mas alguns pequenos esclarecimentos ajudam um pouco a transpor o nevoeiro dominante em torno de temas prementes dos últimos dias:

1. Donald Trump saiu do acordo nuclear com o Irã porque pode.

2. O acordo de 2015, conhecido pelas iniciais JCPOA (Plano de Ação Conjunto e Abrangente), nunca foi ratificado pelo Senado americano.

3. O ex-presidente Barack Obama não submeteu o acordo à ratificação porque sabia que jamais a conseguiria. Mas mesmo acordos com o selo do Senado podem ser revogados.

4. Trump não é uma exceção maluca.

5. Mas talvez tenha sido o único, entre todos os candidatos relevantes à Presidência pelo Partido Republicano que se declararam pela revogação do acordo, a pretender manter a promessa.

6. Trump anunciou sanções econômicas às empresas estrangeiras que fizerem negócios com o Irã porque pode (uma dúvida muito comum entre franceses espantados). E ainda existe algo chamado padrão dólar-ouro.

7. É prerrogativa do presidente americano estabelecer a política externa americana.

8. O Irã não vai à guerra por causa da saída por parte dos Estados Unidos (mas não da União Europeia, Rússia e China).

9. Talvez até eventualmente aceite negociar algumas concessões excessivas do acordo, como o direito de negar acesso de inspetores internacionais a instalações militares e o prazo de até um mês para permitir este acesso.

10. Por que o Irã não pode ter bombas nucleares e Israel pode? Porque Israel não ameaça usar seu arsenal, ou qualquer outro meio, como instrumento de agressão para eliminar outros países do mapa. E os países sunitas têm pavor de um Irã nuclearizado.

11. Israel e Irã não têm “disputas religiosas” — sabe-se lá de onde saiu isso.

12. A grande “disputa religiosa” é entre muçulmanos: o Irã é um país quase que exclusivamente xiita, a corrente minoritária do Islã, e tem muitos séculos de rivalidade com os sunitas pela hegemonia no Oriente Médio expandido.

13. A maioria absoluta dos variados componentes da direita americana, para não falar no resto do país, não quer de jeito nenhum um conflito com o Irã. Muito menos Trump.

14. A estratégia dele, de alto risco, como outras, é renegociar o acordo.

15. O Irã pode decidir não recomeçar a purificar urânio no grau usado para bombar nucleares.

16. Motivo? “Eu aconselharia o Irã a não recomeçar seu programa nuclear”, avisou Trump.

17. Por que acreditar mais nas informações de Israel e menos nas do Irã sobre os recentes desdobramentos bélicos na Síria e nas montanhas de Golã? Como qualquer país, Israel manipula informações, mas precisa responder ao público interno se exagerar ou desinformar demais. E ainda tem os vídeos.

18. A Rússia, por exemplo, não precisa. Disse que as defesas aéreas sírias interceptaram metade dos mísseis ar-terra e terra-terra disparados por Israel contra instalações iranianas na Síria. O governo sírio disse que os mísseis foram interceptados “um a um”. Zero vídeos.

19. O bombardeio, em represália ao inédito ataques de mísseis disparados pelo Irã, a partir da Síria, contra as montanhas de Golã, foi um ato de autodefesa, reconhecido pelo artigo 51 da Carta da ONU. É 51 mesmo.

20. E, sim, a região de Golã é montanhosa. “Colinas” é uma tradução literal do inglês, embora já consagrada pelo uso.

Comentários
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  1. Ataíde Jorge de Oliveira

    Tudo bem, Tia V.
    Pudera ser,oxalá, Damasco o último desENGANO,NÉ;NãO:VEjA 😮

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  2. edgard alves feitosa

    São Jorge seja louvado, ainda existem pessoas que acreditam em Messalinas virgens; primeiro: o arsenal mega destrutivo de Israel é de defesa, ou seja, servirá apenas para que os generais israelenses sentem em cima das ogivas; tenha santa dó, ninguém monta um mega arsenal nuclear para enfeite; não existe esta história de “ARMAS DE DEFESA”, todas as armas são de ataque; segundo: os EUA para invadir o Iraque, de seu antigo aliado, Sadam, mentiram cinicamente sobre armas nucleares, biológicas, bacteriológicas; tudo mentira; o que aconteceu???? Cara de paisagem; é claro que tanto o Irã, Israel, ou outro país vai mentir, afinal na guerra a primeira vítima sempre é a VERDADE; convoca-se os países do Oriente, elabora-se um acordo de não proliferação de armas nucleares, e quem possui tais armas, vai gradativamente eliminando-as, pois do contrário, se Israel possui armas nucleares, o Egito, a Jordânia, Arábia, Síria, também tem o mesmo direito;

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  3. Como sempre, textos irretocáveis. Uma vacina contra a desinformação plantada pela extrema-imprensa. Obrigado por manter-se fiel ao bom jornalismo.

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  4. Carlos Aurélio

    1)Porque é um vigarista sem palavra.
    4) É extremamente perniciosa.
    10) Nunca vi o Irã dizer que vai eliminar Israel com arma atômica. É sofisma.
    17)Há muita gente nos Estados Unidos querendo ser o xerife. Por exemplo, na invasão e destruição do ex Iraque, os americanos diziam: se não temos petróleo suficiente, vamos tomar de quem tem! Li matérias de jornalistas americanos insinuando que a cia podia infiltrar agentes desestabilizadores nas regiões fronteiriças do Irã. Isso pode ter acontecido também na Síria em 2011. Agentes infiltrados desestabilizando o país pra deixar em seguida que os próprios sírios se matassem entre eles.

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  5. Simples assim.

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  6. Acredito que Israel nao vai perder essa chance e vai atacar o Ira. Dou um mes, Maximo 4 meses. Apostas na mess.

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