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Harry e Meghan: confusão e post racista sobre recém-nascido

Idiota da rádio BBC consegue estragar celebração unânime do bebê Archie, apesar das mentiras e trapalhadas sobre o parto

O que dizer de um sujeito que tem um programa de rádio, portanto pertence ao mundo dos comunicadores profissionais, que posta uma foto de um casal aparentemente dos anos vinte, levando pela mão um chimpanzé vestido de sobretudo, chapéu coco e bengala, e o comentário: “Bebê real deixa hospital”?

E ainda tem o cinismo de afirmar que não percebeu as “possíveis conotações”?

A revolta e o asco que o idiota, Danny Baker, apresentador de um programa na rádio BBC 5, provocou praticamente já disseram tudo.

Com seu racismo abjeto, o apresentador conseguiu despertar uma onda de simpatia por Meghan Markle até entre os que não se encantavam sequer com as imagens adoráveis da nova mãe.

Linda, com o rosto ainda cheio do final de gravidez, barriga pós-parto mostrada num vestido claro tipo trench coat, salto agulha Manolo Blahnik e cílios postiços, ela transbordava de felicidade ao lado do marido, também zonzo de amor pelo bebezinho.

A apresentação ao mundo – apenas três minutos – foi feita no fabuloso Saint George Hall, acrescentado ao castelo de Windsor no século 14 e restaurado depois do incêndio de 1992, com brasões de todos os cavaleiros da Ordem da Jarreteira, desde 1348, São Jorge, dragão e os demais acessórios de derrubar o queixo da turistada.

A única coisa “classe média” foi o nome do recém-nascido, Archie Harrison. Usar apelidos ou diminutivos como nome próprio – Jamie, Charlie, Bella, Eadie – é uma modinha dos últimos anos. E tudo mundo concorda que um bebê Archibald seria um tanto esquisito nos tempos atuais.

Nem o nascimento de um novo bebê na família real deixou de ter problemas atribuídos ao estilo exigente da ex-atriz americana.

Acostumada ao mundo de agentes, empresários e fabricantes de imagem característico do show business, Meghan trouxe para a nova equipe de comunicações dela e do marido uma especialista em relações públicas, Sarah Latham, com os Obama e os Clinton no currículo de ex-clientes.

Encarregada de recuperar a imagem negativa de Meghan em camadas da opinião pública inglesa, Sarah Latham estreou com um desastre em seu trabalho mais importante, o anúncio do nascimento do bebê.

Primeiro, mentiu. Ninguém fica chocado em saber que relações públicas escamoteiam a verdade para favorecer seus clientes, mas ser flagrado na mentira é um pecado mortal.

A imprensa foi informada de que “a duquesa entrou em trabalho de parto” quando era 1h45 da tarde de segunda-feira, feriado na Inglaterra (o Primeiro de Maio, transferido).

Só uma emissora de televisão, a Sky News, recebeu o email. Uma “falha técnica colossal” atrasou o comunicado aos outros meios.

Pior ainda, o bebê já havia nascido, às 5h46 da manhã daquele dia, provavelmente num hospital de Londres, até agora não mencionado.

Quando o príncipe Harry apareceu pela primeira vez para falar encantadoramente do filhinho, na frente dos estábulos do castelo de Windsor, o pessoal que fazia plantão à espera da notícia nem sabia.

O desejo, compreensível, de manter em privado um acontecimento tão íntimo virou uma trapalhada mal planejada, mal conduzida e mal executada.

Acrescente-se que Harry e Meghan não são cidadãos comuns. Como integrantes plenos da família real, são subsidiados pelos cofres públicos para trabalhar como representantes do reino.

Ter um filho que fica em sétimo lugar na linha de sucessão não pode ser tratado como assunto exclusivamente privado. Se os pais quiserem mesmo que seja assim, podem abrir mão de sua posição oficial, inclusive dos subsídios, e passar a viver como celebridades comuns.

Além de colocar a imprensa junto com os cavalos – o que certamente deixou muita gente feliz –, os duques também admitiram, na apresentação do bebê, a presença de uma câmara da televisão americana CBS.

É claro que todas as imagens dessas ocasiões são feitas em sistema de pool: entram alguns poucos profissionais – no caso, britânicos –, fazem o registro e distribuem para todos os meios do planeta.

Por que o tratamento privilegiado para a CBS? Gayle King, apresentadora de um popular programa matinal, está fazendo um especial sobre a nova duquesa, de quem é amiga.

Os amigos importantes que Meghan fez depois de começar a namorar Harry incluem George Clooney e a mulher, Amal. Foi no jatinho particular deles que Meghan pegou carona para o chá de bebê em Nova York.

Gayle King foi uma das convidadas. Inicialmente, a apresentadora era conhecida como a amiga inseparável de Oprah Winfrey, com todas as ilações que acompanham expressões do tipo.

Oprah é outra amiga da nova fase da vida da duquesa e está fazendo um documentário em conjunto com Harry sobre saúde mental – exatamente a causa que o príncipe representava na fundação em conjunto com o irmão William e Kate.

Esse trabalho comum já era, levado pelos caminhos deliberadamente separados que os irmãos tomaram depois do casamento de Harry.

O repugnante episódio do post do apresentador de rádio obviamente levanta a questão: quanto da rejeição a Meghan envolve uma reação racista, por ser ela filha de mãe negra?

É evidente que existe este fator, embora seja difícil quantificar, inclusive porque muitas críticas a ela, consciente ou inconscientemente, não fazem referência a cor de pele ou origem étnica.

Manipulação, falsidade, arrogância e golpe do baú eram até recentemente palavras associadas a Kate Middleton, agora promovida a duquesa perfeita por efeito comparativo.

O apresentador Danny Baker foi demitido pelo post repugnante.

Mas o comportamento do casal em termos de apresentação do bebê continua a ser criticado por quem entende, como Dickie Arbiter.

Assessor de imprensa da rainha de 1988 a 2000, ele comentou que foi “um absurdo” incluir a televisão americana só porque Gayle King é amiga de Meghan. Ainda mais sob o falso pretexto de que precisavam ter acesso às imagens.

“Em primeiro lugar e acima de tudo, ela é uma integrante da família real”, espetou Arbiter. A mídia britânica é “muito generosa” com Meghan; o problema, como sempre, é nas redes sociais, “que trazem muitas coisas ruins”.

Só para dar uma ideia: o site de um jornal vetusto como o Telegraph simplesmente fechou os comentários depois do nascimento do bebê.

Fechar comentários é a saída de sites que não admitem ou não têm como controlar as opiniões dos leitores.

Comentários
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  1. Paulo Bandarra

    Sustentado pelo contribuinte para casar com uma plebéia americana de família complicada!

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