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Esta é a amante de Trump? Nikki Haley já viu um filme igual

Insinuações de casos extraconjugais não são novidade para a embaixadora da ONU; para Trump, fazem parte da vida - e da torcida dos inimigos

Por Vilma Gryzinski - Atualizado em 29 jan 2018, 12h34 - Publicado em 29 jan 2018, 12h28

Praticamente todo dia é questão de vida ou morte para Donald Trump, tanto por seu estilo caótico quanto pela fúria espumejante que inspira nos adversários. O boato mais ameno que enfrenta no momento é o de que teria um caso com Nikki Haley, a embaixadora na ONU.

Numa insinuação que só os insiders entenderam, Hillary Clinton, entre outros, apareceu num vídeo mostrado no Grammys, lendo um trecho do livro Fogo e Fúria. A parte escolhida não menciona o boato plantado pelo autor, Michael Wolff. Para bom entendedor…

Filha de indianos criada na nada sofisticada Carolina do Sul, casada com um capitão da Guarda Nacional, mãe de um casal de adolescentes, Nikki seria a primeira mulher relacionada à órbita amorosa de Trump que não tem implantes GG nos seios, não usa cílios postiços e não seria a primeira opção de capa numa revista masculina.

Não que não seja uma mulher interessante e capaz de despertar fantasias, além de boatos maldosos. Todas as vezes que foi candidata governadora da Carolina do Sul, o mesmo tipo de fofoca circulou.

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Dois homens da categoria canalha, seja ou não verdade o que disseram, tiveram a desonra de descrever detalhes de supostos encontros com Nikki Haley.

“Não tiramos a roupa na primeira noite, mas o relacionamento físico avançou muito mais depressa do que eu imaginava”, escreveu Will Folks, blogueiro e ex-assessor de campanha da candidata. Outros detalhes íntimos se seguiram.

Larry Marchant disse que saiu para jantar com Nikki Haley, “tomei uns drinques e as coisas aconteceram”. Que coisas? “Passei a noite com a senhora Haley e tivemos relações sexuais, fizemos sexo.”

Por uma incrível coincidência, Marchand era consultor político do vice-governador do estado, adversário de Nikki na disputa pela candidatura estadual.

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As insinuações nada discretas sobre um caso com Donald Trump foram plantadas por Michael Wolff e combinadas com Bill Maher, um dos muitos comediantes com grande influência sobre a opinião pública.

Desmoralizado pela grande quantidade de informação inventadas no livro, misturadas a apurações reais e provocantes, Wolff disse em entrevista a Maher que tem “certeza” que Trump está tendo um caso e basta ler nas entrelinhas de um determinado trecho na parte final de seu livro para descobrir com quem.

O trecho: “O presidente tem passado uma parte extraordinária de tempo a sós com Haley no Air Force One e se considera que isto é uma preparação para um futuro político no plano nacional.”

A primeira parte dispensa explicações, a segunda significa uma futura candidatura presidencial.

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“Só estive uma vez no Air Force One e havia muitas pessoas no ambiente”, respondeu Nikki numa entrevista ao Politico. “Nunca falei sobre meu futuro político com o presidente e nunca fico sozinha com ele.”

A entrevista obviamente foi dada para desmentir o boato, embora de maneira disfarçada, lá no fim de uma série de perguntas sobre política externa, uma área que era estranha à ex-governadora de um pequeno estado sulista.

Nos Estados Unidos, qualquer pessoa que encabece a embaixada na ONU tem status ministerial e a função de alta visibilidade de defender os inúmeros desdobramentos mundiais da política externa, um eufemismo que pode incluir intervenções armadas, da superpotência dominante.

Nikki Haley tem conseguido um destaque muito grande, especialmente diante do estilo do secretário de Estado, Rex Tillerson, que faz de tudo para não aparecer. A saída de Tillerson chegou a ser dada como garantida. Adivinhem qual o nome mencionado para substituí-lo.

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A informação mais interessante que ela deu na entrevista ao Politico, fora, evidentemente, o desmentido do boato “execrável e sexista”, foi que almoça uma vez por mês com Henry Kissinger e recebe lições do mais intelectualmente sofisticado articulador da política externa americana desde Thomas Jefferson.

Nikki Haley certamente não tem nada de sofisticação intelectual – não é preciso nem chegar a Kissinger, basta mencionar sua antecessora imediata, Samantha Powers, que foi professora em Harvard aos 30 anos.

As duas Rice, sem nenhum parentesco, Susan e Condoleezza, também tiveram carreiras acadêmicas brilhantes.

Nascida Nimrata Randhawa numa cidadezinha de 2 500 habitantes, filha de imigrantes indianos da religião sikh, Nikki formou-se em contabilidade por uma universidade modesta e fez carreira como administradora do negócio de roupas femininas da mãe.

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Aderiu à religião do marido, metodista, e fez carreira política no Partido Republicano com uma plataforma nada ambiciosa, com valores conservadores tradicionals.

Depois que o supremacista branco Dylann Roof matou nove pessoas negras numa igreja metodista de Charleston, Nikki Haley mandou retirar da sede do governo a bandeira confederada, usada pelos estados secessionistas durante a Guerra Civil.

Roof, que foi condenado à pena de morte, era um dos radicais que usam a bandeira confederada como símbolo do supremacia branca, uma ideologia minoritária, extremista e, evidentemente, racista.

A falta de experiência de Nikki Haley no complexo mundo das relações internacionais tem sido ridicularizada dentro e fora dos Estados Unidos, por simpatizantes democratas e até, curiosamente, por comediantes russos.

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Um humorista de um programa de rádio passou-se pelo primeiro-ministro polonês numa conversa por telefone com Nikki. Depois, incitou-a a comentar a situação num país fictício, Binomo. Nikki caiu no trote.

Também não foi muito esperta ao passar recibo e criticar o Grammys pela politização do mundo da música com a leitura de trechos do livro de Michael Wolff.

De certa maneira, passou recibo. Se for reclamar de todas as vezes que celebridades e artistas criticam Trump, vai passar o resto da vida tuitando.

A onda do momento, na verdade, é “elogiar” Melania Trump por ter cancelado a viagem a Davos na companhia do marido.

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O Daily Mail chegou a dizer que Melania estava passando noites num hotel de Washington desde que saiu a história de um pagamento à atriz pornô Stormy Daniels, para comprar seu silêncio sobre um caso com Trump na época em que o filho do casal, Baron, tinha poucos meses.

Com um perfil muito mais compatível com as preferências dele, Stormy, nome artístico de Stephanie Clifford, não tem ficado nada silenciosa. Amanhã, depois do discurso anual de Trump ao Congresso, Stephanie vai dar uma entrevista ao humorista Jimmy Kimmel.

Será que alguém ainda vai continuar falando de Nikki Haley?

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