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Depois do nocaute de Boris, agora vem a pauleira: Brexit

Considerado apenas um bobão por muitos espertos, primeiro-ministro ganha mandato para selar divórcio com a União Europeia sem desencadear desastre

Por Vilma Gryzinski - 12 dez 2019, 20h36

Boris Johnson ganhou ou Jeremy Corbyn perdeu?

As duas coisas.

O exuberante primeiro-ministro, muitas vezes exuberante até demais, soube defender com empenho, entusiasmo e paixão a sua promessa de “fazer o Brexit de uma vez por todas”.

E de aproveitar a oportunidade para dar um salto de liberação de amarras econômicas, fazer acordos com novos mercados, explorar parcerias independentes.

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Enfim, tudo o que habita o mundo das expectativas otimistas, a serem submetidas ao duro teste da realidade.

É também possível afirmar que o Partido Conservador perdeu porque Jeremy Corbyn foi um adversário simplesmente maluco.

Como um candidato viável na quinta maior economia do mundo poderia apresentar propostas que misturavam a ¨União Soviética dos anos trinta e a Venezuela dos anos chavistas?

A rejeição ao Brexit, fora a identificação com a esquerda, por mais repulsiva que seja no caso de Corbyn, alimentou a ideia de que ele era um candidato viável.

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É preciso ser muito ruim para perder de nocaute contando com a simpatia das castas acadêmicas, do mundo artístico, do eleitorado jovem e da classe trabalhadora – afinal, o nome do partido dele é Partido Trabalhista.

Felizmente para o Reino Unido, o eleitorado identificou a ruindade de Corbyn e deu um resultado projetado de 368 parlamentares para o Partido Conservador e 191 para os trabalhistas.

Pela lógica, Jeremy Corbyn já era.

Cabe aos trabalhistas fazer a autocrítica e procurar um líder menos rejeitado e menos identificado com uma extrema-esquerda que conseguiu dominar um partido tão tradicional.

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Pela experiência, Boris Johnson vai viver gloriosos porém rápidos momentos de glória

A vitória não garante um Brexit fácil, mesmo que agora exija a fidelidade ao princípio da separação de todos os conservadores que são contra ela.

Fidelidade em política, sabidamente, é como as nuvens.

Ora está ali, ora não em algum outro lugar.

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A principal tarefa de Boris Johnson, mais do que derrotar os trabalhistas de Corbyn, era dobrar a oposição em seu próprio partido.

Boa sorte com isso, Boris.

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