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Corrida já começou: quem são os candidatos à Casa Branca em 2024

Enquanto os eleitores estão indo com a farinha, avaliando o governo Biden, os políticos estão voltando com o bolo, pensando em seu substituto

Por Vilma Gryzinski 18 fev 2021, 08h00

Joe Biden mal estreou, tem bons índices de aprovação – de 50% a 60%, dependendo da pesquisa – e definitivamente vai querer disputar a reeleição em 2024.

Como estará com 82 anos, independentemente dos sucessos ou insucessos de seu governo, terá um bocado de gente querendo o seu lugar. Aliás, já tem.

É assim mesmo a natureza da política. 

Com Biden candidato, elimina-se da concorrência sua vice, Kamala Harris. Como, nesse etapa inicial, ele está fazendo um governo muito mais à esquerda do que seu histórico centrista faria supor, também fica esvaziado o discurso dessa ala. Por enquanto, ressalve-se.

Caso ele não possa concorrer, Kamala volta ao jogo. Pete Buttigieg, acomodado no pouco sexy Departamento de Transporte, também, embora dentro de quatro anos o apelo de ser “o primeiro presidente gay dos Estados Unidos” já deverá ter diminuído.

Os deputados encarregados de defender a condenação de Donald Trump no processo de impeachment mostraram que o Partido Democrata tem um plantel de políticos promissores, geralmente ex-promotores de justiça bem preparados para o debate público.

Destacou-se, entre outros, Joe Neguse, um dos mais articulados acusadores de Trump. 

O filho de imigrantes da Eritreia, um país leste-africano que muitos teriam dificuldade em localizar no mapa, demonstrou ser bom de conteúdo, de oratória e de imagem. Talvez tenha sonhado em viver seu “momento Obama”, o discurso que o então jovem senador de primeira viagem exibiu várias das qualidades que o levariam a ser eleito presidente.

Para os republicanos, o principal obstáculo parece removido: mesmo absolvido no processo político, Trump está em refluxo. Por enquanto, ressalve-se.

O ex-presidente tem ainda, indubitavelmente, um grande poder para ungir um candidato. Por isso, seu vice, Mike Pence, recolheu-se ao silêncio desde o fatídico 6 de janeiro em que partidários de Trump invadiram o Capitólio.

Entre outras coisas, pediam “Mike Pence na forca”, punição metafórica – ou talvez nem tanto – para não ter se recusado a certificar a eleição de Joe Biden.

Pence teve uma conduta impecável: condenou os abusos e coordenou o retorno à sessão do Senado que, como exigia o momento dramático, foi retomada onde havia parado.

Desde então, não abriu mais o bico. Uma reconciliação com Trump significaria um acordo de paz com a base trumpista em geral. No sentido mais estrito, ele já conta com uma parte significativa dos eleitores evangélicos conservadores.

Quem também já está mais do que sondando as águas é Nikki Halley. Ela foi embaixadora de Trump na ONU, deixando o cargo subitamente, por motivos até hoje misteriosos. 

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É articulada, transita por várias áreas do conservadorismo, tem boa figura. Se viesse a ser candidata contra Kamala Harris, seria um espetáculo excepcional: duas mulheres de origem indiana disputando a presidência dos Estados Unidos.

Outros republicanos que só pensam naquilo: Ted Cruz, o senador texano que foi com Trump até o fim da contestação da eleição de Biden, e o ex-secretário de Estado Mike Pompeo.

Também com credenciais trumpistas impecáveis, desponta na corrida o governador da Flórida, Ron DeSantis

O governador passou quase todo o ano passado sendo triturado pela imprensa progressista, apontado como o pior exemplo do país por não impor o uso de máscaras e outras restrições em massa para controlar a pandemia.

A Covid-19 tinha tudo para ser especialmente maligna na Flórida, onde quase 20% da população tem acima de 65 anos – o clima, a paisagem e os impostos baixos atraem um grande número de aposentados.

Enquanto DeSantis era malhado, a imprensa em geral exaltava o governador democrata de Nova York, Andrew Cuomo, em seu papel de paladino da luta contra o coronavirus.

Agora, os papéis de inverteram. Cuomo está sendo chicoteado, com razão, por ter escamoteado em até 50% o número de residentes em clínicas de repouso que morreram na pandemia. Até políticos democratas estão revoltados com a manipulação e o caso passou para a esfera da justiça federal.

Os números são tétricos para Cuomo. Dos 500 mil americanos que morreram de Covid-19, 46 mil eram do Estado de Nova York. Proporcionalmente, foram 2.382 por milhão de habitantes, um dos piores números do mundo.

Na Flórida, apesar de estatísticas pesadas – 29 mil mortos, ou 1.365 por milhão de habitantes -, DeSantis pode se considerar um dos vencedores da “batalha do corona”. 

Conservador do tipo que tem nota dez da NRA, a associação dos donos de armas, DeSantis fez o circuito Harvard-Yale e foi do corpo jurídico da Marinha. Serviu até em Guantánamo.

Como governador de um estado cheio de públicos específicos – os aposentados, os gays, os cubanos, os venezuelanos -, ele tem que ter um bom jogo de cintura. Inclusive para enfrentar acusações de que privilegiou uma comunidade de aposentados ligada a um casal de milionários conhecido pelas doações de campanha.

DeSantis já fez uma coisa rara em política: recusou os proventos a que teria direito como ex-membro da Câmara dos Representantes. Ele também apresentou um projeto que acabava com a aposentadoria dos políticos. Evidentemente, foi derrotado.

Com tantos candidatos interessantes, é só ter um pouco de paciência com a falta de graça e de efervescência de Joe Biden pelos próximos anos. 

Depois de Trump, um presidente desenxabido pode ser o que a maioria dos americanos queria, mas não é por falta de candidatos que a política vai se eternizar como uma atividade entediante.

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