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Barba, cabelão e bigodão: Alberto Fernández e Cristina perdem feio

Resultado eleitoral foi pior ainda do que o prognosticado e deixam a 'rainha' e seu fiel peão com mãos amarradas num momento de crise brava

Por Vilma Gryzinski 15 nov 2021, 09h29

Alberto Fernández tem sempre a última palavra no sensível relacionamento com Cristina Kirchner, sua patrona.

“Sim, senhora”.

Foi assim quando as prévias eleitorais apontaram para um resultado desastroso na eleição de ontem. Depois de dizer que não trocaria o ministério, tal como havia ordenado sua vice, o presidente mordeu o bigodão e trocou o ministério.

O que poderia fazer, desafiar toda a ala peronista que segue Cristina como se ela fosse a rainha de Alice no País das Maravilhas?

A Argentina, tristemente, se transformou no País dos Infortúnios, mas pelo menos uma coisa boa aconteceu: a frente peronista não tem mais maioria no Senado, que Cristina presidia e no qual havia montado seu quartel-general para mudar estruturalmente o judiciário e livrar a ela e ao filho, Maximo Kirchner, de todos os processos por lavagem de dinheiro, corrupção e correlato.

Para dar uma ideia da pancada, os peronistas não serão maioria no Senado pela primeira vez em 38 anos.

O governo da Frente de Todos também ficou mais parecido com uma Frente de Poucos nas províncias, equivalentes aos estados brasileiros: perdeu Buenos Aires, a joia da coroa, e mais treze delas.

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A derrota governista é particularmente dolorosa porque incluiu os maiores cinco centros do país: a província de Buenos, a Cidade Autônoma de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé e Mendoza. Ou seja, os grandes cinturões periféricos onde o peronismo é historicamente forte foram para a oposição.

Na Câmara dos Deputados, o Juntos Pela Mudança, tão desmoralizado depois da derrota de Mauricio Macri na tentativa de reeleição presidencial, ficou com 41,89% dos votos. A Frente de Todos, com 33%.

Um detalhe especial: Alicia Kirchner, irmã do presidente Néstor e cunhada de Cristina, perdeu o feudo da família em Santa Cruz. E perdeu feio, ficando em terceiro lugar. É a primeira vez em trinta anos que não tem um Kirchner governando Santa Cruz.

É uma pancada histórica.

Assim que o resultado, amplamente previsto, saiu, Fernández anunciou que lançará um novo “plano econômico plurianual”. Claro, também propôs um acordo nacional, que poderia até ser uma esperança em país sem o currículo argentino.

Deus proteja os argentinos, que já estão com o dólar a 200 pesos, 40% de inflação até agora e outras 40% da população na pobreza, um aumento catastrófico.

Os mais cínicos até poderiam brincar que, com Alberto Fernández torcendo o bigodão na Casa Rosada e Cristina Kirchner com a pontas do cabelão aparadas no Senado, o país tem menos chances de fazer besteiras.

Infelizmente, não é assim que funciona.

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