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Alívio geral: no país da rainha, 50% da população tem anticorpos

Entre vacinados e infectados, o alto nível de imunidade é um dos fatores que indicam uma vitória sofrida contra o vírus que matou 150 mil

Por Vilma Gryzinski 1 abr 2021, 08h00

Há cinco meses sem aparecer em público, a rainha Elizabeth emergiu ontem, usando o melhor figurino que se possa imaginar: casaco e chapéu em verde-limão e um sorriso de alívio.

Como os britânicos adoram associar a pessoa da rainha ao estado de espírito nacional, é irresistível não concluir que ela refletiu a esperança geral de que o Reino Unido saiu dessa.

Por “essa”, entenda-se 150.116 mil mortes, segundo dados atualizados do Instituto Nacional de Estatística, o que dá o pior resultado, proporcionalmente, entre os grandes países europeus. Mais até que o Brasil – com a enorme diferença que a doença avança catastroficamente entre nós e parece domada no Reino Unido.

Um número, entre muitos: por dois dias desta semana, não houve nenhuma pessoa morta por Covid-19 em Londres, que, como todas as metrópoles, foi a cidade mais duramente atingida.

Em escala nacional, as infecções estão na casa de quatro mil por dia e as mortes caíram para a uma média de cinco dezenas. Há dois meses e dez dias, em 19 de janeiro, haviam chegado ao triste recorde de 1.469.

O sucesso da campanha pioneira de vacinação, que começou em dezembro e agora já abrangeu 31 milhões de pessoas – mais da metade da população adulta – , se reflete nos testes  para anticorpos. 

Segundo a pesquisa por amostragem, 54,7% das pessoas que moram em unidades familiares na Inglaterra já têm anticorpos contra o vírus. No País de Gales, são 50,5% e 42,6% na Escócia.

Como os idosos foram o grupo prioritário, nas categorias acima dos 65 anos, a imunidade passa de 80%, chegando a 90% na faixa dos 70 aos 74. 

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Se as pessoas idosas vivessem isoladas do resto da população, já teriam alcançado amplamente a imunidade de grupo.

Como não vivem, o governo tem que fazer uma coisa muito difícil: promover a si mesmo, como todos os governos, nesse caso com razão, por ter montado todas as complicadas peças de uma vacinação em massa, com imunizantes que nunca tinham sido administrados em larga escala antes, e, ao mesmo tempo, apelar para que o sucesso não suba à cabeça e a população afrouxe as medidas de segurança.

Um dos grandes desejos reprimidos pela pandemia é viajar para localidades praianas de clima mais ameno e nisso o governo não está disposto a tirar a risca vermelha, diante do risco de que os turistas voltem infectados com variantes resistentes a vacinas.

As viagens ao exterior continuam proibidas, exceto por motivo de força maior, com uma perspectiva de multa de cinco mil libras para quem aparecer no aeroporto sem ter comprovação desse motivo.

Outro tema em debate: se restaurantes, pubs e locais de eventos deveriam requerer algum tipo de prova de vacinação ou de anticorpos para permitir a entrada.

É o tipo de problema que, nas circunstâncias atuais, parece até bom de ter para países importantes como a Alemanha e a França, onde a tendência da doença continua negativa e seus líderes agora, como terceiro-mundistas atabalhoados, estão correndo atrás da Sputnik V da Rússia.

Enquanto Boris Johnson tenta segurar o entusiasmo com um número bom atrás do outro, Emmanuel Macron precisou anunciar ontem um terceiro lockdown – embora a palavra seja proibida – em escala nacional.

O sorriso aberto da rainha, que passou a maior parte da pandemia isolada no castelo de Windsor e atendida por uma equipe de 20 funcionários que se revezavam, voluntariamente afastados das próprias famílias, disse tudo: sair do sufoco da pandemia dá uma sensação de alívio que não tem preço.

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