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A última de Hollande: foto dele com amante no palácio foi espionagem

E os responsáveis foram funcionários ligados ao antecessor, Sakorzy. Também teve um dedinho da Carla Bruni

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 5 dez 2016, 11h20 - Publicado em 19 ago 2016, 13h36
Altas traições: Hollande acha que Sarkozy e Carla Bruni puseram mais fogo num caso escandaloso

Altas traições: Hollande acha que Sarkozy e Carla Bruni puseram mais fogo num caso escandaloso

Os franceses detestam, majoritariamente, seus políticos – um clube que está ficando cada vez maior, na Europa, nos Estados Unidos e, claro, no Brasil. Com o peso do desgaste natural do exercício do poder, de um desempenho pálido, do ambiente carregado pelo medo dos atentados terroristas e de uma personalidade francamente desanimadora, o presidente François Hollande é o mais rejeitado: 73% dos eleitores não querem que ele ganhe o cargo de novo.

Seus rivais em potencial não estão em situação muito melhor. A rejeição ao ex-presidente Nicolas Sarkozy bate em 66%. Jean-Luc Mélenchon, da esquerda trotskista, apoiado pelos comunistas linha tradicional (coisas da França), tem 64%. Marine Le Pen, da direita populista, com alta possibilidade de ser a mais votada no primeiro turno, em 23 de abril do próximo ano, incomoda 63% dos eleitores.

Hollande ainda tem que passar pelas prévias no Partido Socialista. Só a ideia de que um presidente em exercício perca em seu próprio partido é espetacularmente humilhante, mas não inconcebível. Sarkozy também enfrentará o mesmo processo. Seu maior adversário é Alain Juppé, que tem a vantagem de ser o menos rejeitado dos nomes mais conhecidos.

Em várias entrevistas transformadas em livro, intitulado Conversas Privadas com o Presidente, Hollande traça um retrato bem pouco simpático de seu antecessor. Mas reconhece que deverão se enfrentar de novo: “Ele tem mais qualidades do que os outros. Tem mais defeitos também.”

Segundo Hollande, os contatos obrigatórios que teve com Sarkozy foram um sofrimento. Eles se falaram logo depois dos atentados de 13 de novembro do ano passado, que vitimaram 130 pessoas em Paris, Sarkozy fez as reclamações “de sempre” contra integrantes do governo Hollande e de seu próprio partido. “Sempre as mesmas histórias, a mesma maneira de falar, dizendo coisas que não deveria dizer”, suspira Hollande num dos trechos do livro.

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Com seu jeitinho sonso, Hollande também faz uma fofoca. Insinua que foram funcionários do palácio presidencial ainda leais a Sarkozy que divulgaram uma foto de Hollande com a amante, agora companheira não-oficial e não-pública, Julie Gayet.

Quando o caso veio à tona, a primeira-dama oficial, Valérie Trierweiler, teve uma crise pavorosa, incluindo excesso de remédios, internação hospitalar e, depois, um livro cheio de veneno contra o ex.

Por causa do escândalo, que arruinou sua imagem, Hollande decidiu não assumir publicamente o relacionamento com Julie, que é atriz e costumava ser casada, tal como Valérie à sua época. Só para lembrar: a mulher que foi sua companheira por mais tempo, Ségolène Royal, mãe de seus quatro filhos, é ministra no governo Hollande.

Quando enfrentou Sarkozy pela primeira vez, Hollande explorou a imagem de “Senhor Normal”, um homem composto e discreto, especialmente em comparação ao caso rapidamente transformado em casamento do então presidente com a ex-modelo e cantora Carla Bruni. Seus próprios escândalos viriam a ser muito mais constrangedores.

Ele não fica muito melhor ao insinuar que Sarkozy o espionou e que a sua foto com a amante circulou através de um fotógrafo “ligado a Carla Bruni”. Sobre o livro da ex, diz que ficou especialmente magoado por Valérie ter escrito que ele desprezava os pobres, chamando-os de desdentados.

“Foi muito mais difícil do que eu imaginava”, conclui Hollande sobre sua presidência. Sem nenhuma surpresa, ele se julga vítima da mídia e de uma herança econômica marcada pelo desemprego – sem contar a ex-mulher, o ex-presidente e a mulher do ex-presidente.

Está sendo muito mais difícil ainda para os franceses, Monsieur.

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