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A maldição do Brexit: até a roupa de Theresa May pode piorar situação

Em ambiente de instabilidade, candidata a primeira-ministra caminha para o poder com vestidos e sapatos exóticos

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 5 dez 2016, 11h21 - Publicado em 6 jul 2016, 12h05
Dá para ver alguma coisa: entre ser amada ou temida, Theresa May escolhe segunda opção

Dá para ver alguma coisa: entre ser amada ou temida, Theresa May escolhe segunda opção

Quando as coisas começam a dar errado, não param mais. Este axioma da política é dolorosamente conhecido pelos brasileiros. Para os ingleses, tão acostumados à bonomia dos últimos anos, o tsunami de notícias, ruins ou com grande potencial de desestabilização, que inunda o país desde a aprovação do Brexit é de tirar o fôlego.

Até o vestido que Theresa May, a principal candidata a chefiar o governo, usou ontem foi considerado um fator negativo. A estampa gráfica preta sobre fundo cor de pele cria uma ilusão ótica de semi-nudez. Hoje, Theresa voltou ao habitual e estavam tramando para que um candidato menos cotado, o renegado Michael Gove, acabasse na segunda rodada da eleição interna no Partido Conservador, para aumentar as chances dela.

A notícia do dia, antes que novos acontecimentos a deslocassem, foi a divulgação do relatório Chilcot, que esquadrinha a participação na invasão do Iraque, com destaque para o papel do ex-primeiro-ministro Tony Blair. É uma pancada maior ainda do que se esperava, vinda num momento em que até um voo de borboleta aumenta a instabilidade.

Um resumo rápido. O primeiro-ministro David Cameron renunciou e o político teoricamente mais cotado para substituí-lo, Boris Johnson, não teve nem quatro dias para comemorar a vitória do voto pela saída da União Europeia. Apunhalado por seu maior aliado, Gove, retirou a candidatura a líder do Partido Conservador e, por consequência, substituto de Cameron.

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O oposicionista Jeremy Corbyn se agarra ao cargo do líder trabalhista, apesar do voto de censura da maioria dos parlamentares de seu partido. Pode haver um racha. Nigel Farage, que criou um partido de direita populista, o UKIP, só para pregar a desunião europeia, caiu fora da política. Disse que vai cuidar da própria vida.

Antes comparado ao morticínio da  cena final de Hamlet, o panorama político está ficando mais parecido com a Batalha de Bosworth, famosa como acontecimento histórico e, para variar, outra peça de Shakespeare. Depois de mandar matar os dois sobrinhos que o precediam na sucessão ao trono, sumindo com os corpos de forma mais ardilosa que o goleiro Bruno, Ricardo III se tornou o último rei da Inglaterra morto em combate, em Bosworth, em 1485.

A libra caiu, a Inglaterra foi desclassificada da Eurocopa pela Islândia e os vazamentos, reais ou fingidos, se sucedem. O último, ontem, foi de um pilar do Partido Conservador, Ken Clarke. No intervalo de uma entrevista de televisão, mas com o microfone ligado, e sinais de que havia tomado umas e outras, ele detonou todos os seus colegas de partido que disputam o poder.

Sobre Theresa May, disse que é “um diabo de mulher difícil”, lembrando o interlocutor, entre risadas, da época de Margaret Thatcher. O ambiente anda tão carregado que isso foi considerado um vazamento proposital, para favorecer Theresa.

Poucos duvidam que ela é mesmo um “diabo de mulher difícil”. A preferência por sapatos coloridos e roupas chamativas, como o esquisito “vestido asteca” que ela já havia usado em outras ocasiões, é um sinal de teimosia sob a aparência de polidez e comportamento impecável, de classe média endinheirada.

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