Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês
VEJA Meus Livros Por Blog Um presente para quem ama os livros, e não sai da internet.

Flip: festa de dez anos não teve brigadeiro

.

Por Maria Carolina Maia Atualizado em 13 ago 2018, 21h04 - Publicado em 9 jul 2012, 12h04

 

 

A Flip completou dez anos em clima de festa, mas não uma festa de arromba. Ao atingir uma década, o evento consolidou um modelo, já copiado por outros festivais de literatura do país, mas não trouxe um elemento inovador, uma discussão acalorada que repercutisse pelas pedras de Paraty ou para além delas, nem contou com um convidado de peso que fizesse a diferença. Em resumo, foi uma festa sem brigadeiro.

Não que a programação tenha sido ruim. Havia bons convidados, alguns consagrados como o inglês Ian McEwan (de Reparação, Amsterdam e Serena, que ele acaba de lançar primeiro aqui), outros badalados como o americano Jonathan Franzen (que posou de esquisito carregando uma mochilinha nas costas, fazendo piadas sem graça, falando de pássaros e tentando agradar) e alguns ainda pouco conhecidos do público brasileiro, como o poeta e romancista Alejandro Zambra, apontado como a nova promessa literária do Chile, e o americano de origem nigeriana Teju Cole, autor do elogiado Cidade Aberta. Mas faltou um nome de impacto que representasse uma novidade — McEwan já veio em 2004 — e rendesse uma boa discussão na tenda dos autores ou um bom cara a cara com os fãs pelas ruas de Paraty — o excêntrico Franzen se hospedou numa pousada distante.

Houve também boas mesas de debate. A do próprio McEwan com a americana Jennifer Egan (vencedora do Pulitzer de ficção em 2011 com A Visita Cruel do Tempo), foi saborosa. Eles falaram da construção ficcional e da relação do escritor com o leitor, que, para eles, deve ser manipulado — é esse o papel do autor, iludir, confundir, levar o leitor a uma viagem. Outros pontos altos foram a discussão entre os poetas árabes Adonis e Amin Maalouf, que defenderam o ataque da poesia contra o radicalismo islâmico, a conversa entre os especialistas em Shakespeare James Shapiro e Stephen Greenblatt (rivais acadêmicos, eles se completaram no palco, numa conversa envolvente sobre Shakespeare e a produção teatral dos séculos XVI e XVII). Ponto também para a discussão entre o ex-deputado Fernando Gabeira e o ex-secretário de Segurança Pública do Rio Luiz Eduardo Soares, que falaram dos tipos de autoritarismo possíveis — inclusive, para Gabeira, aquele de Dilma em relação ao Congresso.

Mas faltou algo. Para 2013, a organização mantém a curadoria do jornalista Miguel Conde e fala em inovar nas homenagens — este ano, o tributo da festa foi para o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Mas evita a ideia de renovar o formato. Em entrevista coletiva neste domingo, a idealizadora do evento, a britânica Liz Calder, recusou a ideia de uma reciclagem maior da Flip. É uma pena. O exercício de se pensar da festa é que poderia render algo mais no ano que vem. É aí, ao que tudo indica, que pode estar o brigadeiro escondido.

 

Continua após a publicidade

Publicidade