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Euclides da Cunha será o autor homenageado da Flip 2019

Próxima edição do evento acontece entre 10 e 14 de julho e será pautada pela literatura de não-ficção

Euclides da Cunha será o escritor homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty de 2019. A próxima edição do evento, que acontece entre 10 e 14 de julho, será pautada por literatura de não ficção: “Os Sertões (principal obra de Cunha) é o primeiro clássico de não ficção brasileira, uma obra exemplar. Uma não ficção que é uma grande literatura”, diz Fernanda Diamant, nova curadora da Flip.

O livro nasceu nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, então Província de São Paulo, quando Euclides cobriu a Guerra de Canudos (1896-1897) para a publicação. Fernanda acredita que a coletânea de textos dará muito pano para manga no palco da Flip.

Os Sertões conversa com o que está acontecendo no Brasil hoje. Para além da maravilha literária, é uma obra jornalística, a cobertura de um conflito que terminou em massacre”, diz Fernanda.

Nesse contexto, o autor e sua obra ensinam a olhar as coisas mais de perto, a valorizar o jornalismo e a reportagem, ela comenta. “Euclides tinha idealizações a respeito de tudo e, quando vai conferir de perto, fica muito tocado pelo que vê e muda, aprende. Temos que aprender com a nossa história, com os nossos fracassos e vitórias.”

Fernanda lembra que Euclides da Cunha era um republicano orgulhoso, convicto, que fez carreira no Exército e chega a Canudos alinhado com a monarquia, achando que o Brasil corre perigo. “Mas ele vê que não é nada disso e, muito sensivelmente, vai se transformando ao longo do tempo que fica ali.” Jornalismo e política, portanto, assuntos do momento em 1896 e hoje.

“O livro também é muito bom para debater de conflitos internacionais, até fake news e democracia”, comenta. Para a curadora, o tema reverbera, também, na Guerra da Síria e em outros conflitos que acusam a população de fanatismo, como foi o caso de Canudos.

Dividido em três partes, terra, homem e luta, Os Sertões não é exatamente um livro fácil, diz. “As pessoas têm dificuldade porque ele começa pela parte mais difícil. Para chegar à luta, que é emocionante, precisa atravessar a terra, que é linda do ponto de vista estético, mas difícil. Vamos trazer o fim para o começo para as pessoas entrarem na obra e conhecerem a história.”

Engenheiro, militar, funcionário público, jornalista e autor, Euclides da Cunha começou a escrever aos 17 anos, e só parou com sua morte. O escritor foi assassinado aos 43 anos durante um duelo com Dilermando de Assis, amante de sua mulher, aos 43 anos. Esses e outros traços biográficos de Cunha devem pautar debates na Flip.

A curadora Fernanda Diamant quer, ainda, repetir o ciclo de debates realizado nos últimos anos, em São Paulo, com o Sesc. Um aquecimento para a festa, e uma chance de e aprofundar as discussões acerca do homenageado e de sua obra.

A Flip vem alternando autores contemporâneos e clássicos como homenageados. A paulista Hilda Hilst foi a última.

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