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Escritora cria prêmio para livros que omitam violência à mulher

Fugir à realidade pode ser uma forma de deslealdade, em um momento em que as mulheres expõem os crimes de que são vítimas para suplantá-los

Desde o século XIX, a literatura se guia sobretudo pelo realismo — mesmo quando fantástica, ela deve parecer verossímil, e a verossimilhança é construída com traços tomados de empréstimo da realidade. Pois agora uma escritora e roteirista britânica quer premiar thrillers que omitam, em suas páginas, qualquer tipo de violência contra a mulher. Nenhuma personagem feminina deve apanhar, ser perseguida, explorada sexualmente, estuprada ou assassinada. Tema de denúncias que crescem nos últimos anos, a violência contra a mulher simplesmente não vai existir no universo do livros inscritos no Staunch Book Prize.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Bridget Lawless, a criadora da premiação, deu uma justificativa digna de Pollyanna para o seu recorte original.  “Há tantos livros em que as mulheres são estupradas ou assassinadas para que um investigador ou herói possa exibir sua habilidade… Isso tudo é para que autores criem histórias que não precisem se apoiar em violência sexual. Não há outra história além dessa?”

Staunch, em inglês, significa algo como “leal”, “fiel”, “de confiança”. Fugir à realidade, porém, pode ser uma forma de deslealdade, em um momento em que as mulheres expõem os crimes de que são vítimas para suplantá-los.

O Staunch Book Prize é voltado para escritores de qualquer gênero — feminino ou masculino. O trabalho deve ser inscrito em inglês, mas traduções são aceitas, e o livro pode ter sido publicado até dezoito meses antes do encerramento das inscrições, marcado para 15 de julho — elas começam no dia 22 de fevereiro.

O prêmio, de 2 000 libras (8.800 reais pela cotação de hoje), será pago pela própria Bridget Lawless. O vencedor será anunciado em 25 de novembro.

 

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  1. Mas personagem homem pode ser perseguido, assassinado, morto, decapitado, mandado para a guerra, não é mesmo?
    Essa parcialidade só existe par ao lado das mulheres, estão causando com isso um sentimento de rivalidade, parece que somos um time oposto, a vida das mulheres vale mais do que a nossa, isso nos mostra que os governos, as mídias, as leis, não estão do lado dos homens, é como se nós fossemos os proletários em um mundo de burguesia feminista.
    Na época do racismo, davam mais importância a violência contra brancos do que contra os negros, embora os negros sofressem mais violência, hoje em dia é a mesma coisa, dão mais importância a violência contra as mulheres do que contra os homens, embora os homens sofram mais homicídios.
    Se querem combater a violência contra mulher, por que permitem que elas se relacionem com bandidos? São eles quem mais batem em mulher.

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