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Curador do Jabuti rebate crítica com comentário considerado homofóbico

Em polêmica com o crítico Volnei Canônica sobre as regras do prêmio, Bagolin diz que ele faz 'a defesa indefectível de seu amor', o ilustrador Roger Mello

Por Redação Atualizado em 15 jun 2018, 12h36 - Publicado em 14 jun 2018, 17h19

O Prêmio Jabuti parece indissociável de polêmicas nos últimos anos. As mudanças feitas para reduzir o extenso número de categorias da premiação, cuja cerimônia de entrega era um enfadonho desfile de pessoas pelo palco do evento, foram alvo de críticas no meio literário, que vê com reticências, digamos, a junção das categorias infantil e juvenil e o deslocamento de ilustração para a área técnica, entre outras novidades introduzidas pelo curador Luiz Armando Bagolin.

Um dos maiores críticos das mudanças é Volnei Canônica, especialista em literatura infanto-juvenil que assina uma coluna no site especializado PublishNews. Ao rebater críticas no espaço para comentários de uma coluna de Canônica, Bagolin partiu para o lado pessoal, em uma mensagem que tem repercutido mal no meio literário — nas redes sociais, muitos consideraram homofóbico o comentário do curador, o assunto dominou o meio literário nesta quarta e quinta.

  • Para provar que ilustração é mais que algo técnico, mas um discurso em si, Canônica e o companheiro, o escritor e ilustrador Roger Mello, vencedor do Hans Christian Andersen, o maior prêmio mundial de literatura infantil, em 2014, têm usado como exemplo imagens de obras clássicas em que a ilustração tem papel importante, como o Livro dos Mortos egípcio.

    “É curioso constatar que o Livro dos Mortos (Egito – 1.040 a.C. – 945 a.C.), um dos primeiros livros de que se tem registro na história da humanidade, fartamente ilustrado, com protagonismo equivalente das ilustrações em relação à palavra, nos faz perceber que desconsiderar a importância da imagem como elemento artístico-narrativo é, não só um desconhecimento da história do livro, como um preconceito de nossos dias”, escreveu Canônica.

    Bagolin, então, discordou que o Livro dos Mortos seja ilustrado, acusou Canônica de “se promover como especialista e surfar ao sabor das próprias opiniões” e, por fim, se voltou para a sua relação com Roger Mello, dizendo que o literato “principalmente faz a defesa indefectível de seu amor, Roger Mello. Afinal hoje é Dia dos Namorados. Beijos a vocês”.

    Mello respondeu no mesmo espaço, confirmando o relacionamento com Canônica e voltando ao tema do post, o Livro dos Mortos. “O Livro dos Mortos tem fantásticas versões ilustradas da época. E, sim, Volnei e eu somos casados e ficamos muito felizes com seus votos.”

    Troca de mensagens entre o curador do Jabuti e os críticos a mudanças na premiação Reprodução/Facebook
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