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Canadense David Gilmour corta livros de mulheres de aulas

O escritor e professor canadense David Gilmour, autor de O Clube do Filme (Intrínseca), disse em entrevista à revista eletrônica Hazlitt, da editora Random House Canada, que não está interessado em ensinar livros escritos por mulheres em seu curso na Universidade de Toronto. Ao receber em sua casa a reportagem da Hazlitt, o vencedor do […]

Por Meire Kusumoto Atualizado em 31 jul 2020, 05h18 - Publicado em 27 set 2013, 19h34

O escritor e professor canadense David Gilmour, autor de O Clube do Filme (Intrínseca), disse em entrevista à revista eletrônica Hazlitt, da editora Random House Canada, que não está interessado em ensinar livros escritos por mulheres em seu curso na Universidade de Toronto. Ao receber em sua casa a reportagem da Hazlitt, o vencedor do Governor General’s Literary Awards de 2005 mostrou sua estante de livros. Mas, como ele havia mudado de residência poucos dias antes, a maior parte da coleção ainda estava em caixas e apenas alguns exemplares — do francês Marcel Proust, dos russos Liev Tolstói e Anton Tchekhov, além de traduções de seus livros — ficavam à mostra. Foi ao comentar esses exemplares, e sua paixão pela literatura russa, que ele revelou a sua indiferença por livros assinados por mulheres, cortadas das aulas que dá.

“Ensino mais autores russos e americanos. Não muitos canadenses. Só consigo ensinar o que amo”, disse ele, professor de conto moderno para alunos do terceiro e quarto anos de faculdade. “Não estou interessado em ensinar livros escritos por mulheres. Virginia Woolf é a única escritora que me interessa, então uso um de seus contos. Quando me ofereceram esse trabalho, eu avisei que somente ensinaria autores que eu realmente amo. Infelizmente, isso não amo autores chineses ou femininos. O que ensino são homens. Homens heterossexuais sérios. F. Scott Fitzgerald, Tchekhov, Tolstói. Homens realmente homens. Henry Miller. Philip Roth.”

Gilmour, pré-selecionado para concorrer ao prêmio canadense de literatura Giller com o romance Extraordinary, ainda sem tradução no Brasil, afirma que conseguiu o emprego como professor universitário mesmo sem um doutorado, geralmente exigido pela Universidade de Toronto. “Sou um professor natural, fui treinado pela televisão por muitos anos. Eu sei falar para uma câmera, portanto sei falar para uma sala cheia de alunos. É a mesma coisa. E meu livro O Clube do Filme é sobre ensinar coisas da vida e do mundo com a ajuda do cinema”, disse ele, que foi comentarista de artes no canal CBC Television por cerca de onze anos.

V.S. Naipaul — Gilmour, infelizmente, não foi o primeiro a dar uma declaração como essa. O Nobel de Literatura V. S. Naipaul afirmou ao jornal britânico The Guardian em 2011 que nenhuma mulher escritora estava à sua altura, devido ao “sentimentalismo” e à “estreita visão de mundo” feminino.

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