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‘Os Mortos’ é boa introdução à obra de James Joyce

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Por Maria Carolina Maia Atualizado em 13 ago 2018, 17h40 - Publicado em 23 Maio 2013, 09h30

Apontado por críticos como o livro mais difícil da literatura universal, Ulysses faz de James Joyce um autor temido por muitos leitores. A imagem de escritor denso, complexo, hermético, construtor de quebra-cabeças, se de um lado rende ao irlandês um séquito de fãs capazes de lhe dedicar um dia do ano, o Bloomsday, por outro o afasta daqueles que se acham inábeis para a chamada alta literatura — e para muitos a literatura de Joyce é tão alta que se torna inalcançável. É para este grupo, portanto, ainda mais que para o outro, apesar da fruição que ele possa ter, que a edição de Os Mortos (tradução de Caetano Waldrigues Galindo, 136 páginas, 14,90 reais) pela Penguin & Companhia das Letras parece feita sob medida.

O livro, que tem como pretexto abrir uma coleção de clássicos voltados ao — ou pautados pelo — amor, reúne o conto que lhe dá título a outro de Joyce,  Arábias, ambos tirados da coletânea Dublinenses, e ao monólogo de Molly Bloom no capítulo final em Ulysses. Três textos curtos, que podem ser lidos, cada um, em uma única viagem, sem vertigens nem acidentes. As únicas vertigens que podem surgir aqui são as da boa literatura — que mexe, inquieta o leitor, o faz sentir e pensar.

Em Os Mortos, Joyce conta a história de Gabriel Conroy, que vai a uma festa na casa das tias solteironas, duas velhas professoras de música que têm nele o sobrinho preferido, e, já na volta para o hotel, onde pretende pernoitar para evitar uma viagem à noite por estradas cheias de neve, tem uma revelação sobre o passado da esposa, Gretta. A maneira como Conroy reage a essa revelação é que o grande lance do conto. A cena é o ápice da história, e está apenas nas últimas páginas, mas chegar a elas não é nenhum custo. A festa na casa das tias Kate e Julia, com o seu painel dos convidados e do nacionalismo irlandês, é interessante.

Os Mortos é um conto bastante consagrado. Mas Arábias, também pelo desfecho, pode agradar tanto ou mais. O conto troca o universo adulto pelo adolescente, acompanhando a história do garoto que se apaixona pela irmã do amigo de rua e faz de tudo para comprar um presente para ela no bazar árabe que a menina queria, mas não poderia visitar.

Depois de ler esses dois livros, é só mergulhar em um trecho de Ulysses para ver que James Joyce não é nenhum bicho-papão. Em tempo: Dublinenses, a coletânea de contos que reúne Os Mortos e Arábias, foi lançada em 1914, oito anos antes de Ulisses.

Confira abaixo um vídeo do editor da Companhia das Letras, André Conti, sobre a última tradução brasileira de Ulysses:

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Maria Carolina Maia

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