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‘O mundo precisa de amor’, diz Audrey Carlan, novo fenômeno erótico

Escritora americana afirma se sentir feliz de ajudar mulheres a se liberarem e que seu marido aprecia os ‘efeitos colaterais’ da sua profissão

Por Maria Carolina Maia Atualizado em 30 jul 2020, 22h00 - Publicado em 27 ago 2016, 09h20

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Maria Carolina Maia

Descoberta pela editora americana Waterhouse Press ao atrair milhares de leitoras para as histórias de Mia, uma menina que aceita trabalhar como acompanhante de luxo para salvar as finanças da família, a americana Audrey Carlan se tornou um fenômeno global. Com 2,5 milhões de exemplares comercializados mundo afora, sua série A Garota do Calendário (Verus) – um livro para cada mês das aventuras sexuais de Mia – é presença quase certa na lista dos livros mais vendidos. “Quando assinei com a Waterhouse Press, eles contrataram uma agência literária que fechou acordos com 28 outras editoras pelo mundo”, conta. “Tudo o que eu queria era escrever algo diferente do que já tinha feito, como a Falling Series, então, criei uma garota turrona que envereda por uma jornada com que outras mulheres poderiam se identificar. Deu certo.” É por esse sucesso de vendas que Audrey foi convidada a participar da 24ª Bienal do Livro de São Paulo, onde fala com o público neste sábado, a partir das 14h, na Arena Cultural BNDES. Antes, ela falou a VEJA. Confira abaixo a entrevista:

 

Você fez pesquisa para escrever a série A Garota do Calendário? Sim. Eu tinha um leitor beta, que me ajudava com o francês em Fevereiro, em que a Mia sai com um artista da França. Em Julho, tive consultoria de uma porto-riquenha nativa, que revisou a linguagem e as referências da cultura dela. Eu visitei as locações por onde Mia passa em Maio. E passei muito tempo na internet pesquisando a cultura de Samoa. Também contei com enfermeiros e assistentes médicos na verificação de informações sobre condições médicas e procedimentos hospitalares. Investi bastante tempo em pesquisa para escrever uma narrativa realista. Até hoje, não tive queixa.

Mia não é uma prostituta. Ela escolhe com quem vai se deitar. Isso é um sinal de empoderamento feminino, tema tão em voga hoje? Mia é uma criatura sexual e está em fase de aceitação da sua sexualidade. Ela se entrega a um homem quando sente que tem uma conexão com ele.

Os livros podem libertar mulheres reprimidas? Meu objetivo é simplesmente dar a minhas leitoras um escape, uma fantasia, uma bela história de amor com que elas possam se sentir bem. Se isso as deixar excitadas e com vontade de passar mais tempo com alguém na cama, então, yay! O mundo precisa de mais amor. Como mulher de 30 e poucos anos (ela tem 37), mãe e esposa, vejo os romances eróticos como um escape necessário do dia a dia e meu marido com certeza aprecia os efeitos colaterais disso.

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Seu marido lê os seus livros? Quando ele soube que eu daria uma grande entrevista ao Today Show, um importante matutino da TV americana, ele imediatamente pegou Janeiro, o livro que abre a série A Garota do Calendário, para ler. Ele foi até metade do livro – ele não é um leitor de romances, então, isso foi o que rolou. Essa foi a primeira vez que teve contato com o meu trabalho. E disse que adorou. “Uau, é realmente incrível, agora sei por que as pessoas amam os seus livros”, disse. Também brincou dizendo que é a inspiração para cada homem e para cada cena de sexo.

calendarioE quanto aos seus filhos, eles já leram alguma coisa? Meu Deus, não! Meus filhos têm cinco e nove anos, e meninos. Eles sabem que a mãe deles escreve livros sensuais somente para adultos.

Você acha que a literatura tem uma função social? Definitivamente! Eu falo constantemente sobre livros não só porque sou escritora, mas por ser leitora. Grandes livros proporcionam o “chute inicial” para uma conversa com um estranho. Quando as pessoas descobrem que eu sou uma autora, sempre me perguntam qual tipo de livro eu escrevo. É engraçado que sempre chutam livros infantis, provavelmente porque estou com meus filhos o tempo todo. Quando digo que escrevo romances, eles querem saber mais. Se dizem que não leem romances, eu posso instantaneamente sugerir o nome de um mistério, um romance erótico de outra pessoa ou pergunto qual tipo de livro eles gostam. Livros de todos os tipos e gêneros aproximam as pessoas e isso é mágico.

Você já foi apontada como a sucessora da britânica E. L. James, de Cinquenta Tons de Cinza. O que acha disso? Eu sorrio quando escuto essa comparação. É uma honra para mim. Sou uma grande fã de Cinquenta Tons de Cinza e de EL James. Ela é a razão de eu escrever. Eu cheguei tarde aos livros, depois de muita gente, mas eles me impactaram tanto que, quando terminei a série, voltei ao primeiro volume e li tudo de novo, do começo ao fim. Li muitas vezes. Se as pessoas sentirem pela minha série um pouco do que sentem por Cinquenta Tons de Cinza, estou realizada.

Você concorda com as expressões “pornô para mamãe” ou “pornô suave”? Eu desprezo todos esses termos e não escrevo pornô. Eu trabalho muito duro todos os dias para escrever belas histórias de amor. Na vida real, as pessoas fazem sexo. A necessidade de se conectar fisicamente é uma parte integral do ser humano. Então, sim, todos os meus livros são eróticos pois da minha perspectiva, sexo é um evento, dois corpos e almas se unem para compartilhar o desejo e paixão um pelo outro. Para mim é magnífico, e eu quero que meus leitores vivam isso. No entanto, você pode tirar todas as cenas de sexo dos meus livros e ainda assim a história se sustentaria.

Como você vê o futuro da literatura erótica? Com mais incríveis histórias! Sou uma leitora voraz. Se eu não estou louca escrevendo, geralmente leio três livros por semana, a maioria de literatura erótica. Eu leio o que eu gosto de escrever. Sempre vão existir romances eróticos. Acho que agora, por conta de Cinquenta Tons de Cinza, o caminho foi pavimentado para mais autores escreverem seus contos sensuais. Com o sucesso da história de EL James no mundo, os leitores perderam o medo de ler um livro erótico, e agora estão procurando por eles. Quando eu visito a livraria local, a sessão de romances está cheia de títulos eróticos.

Seus livros podem chegar aos cinemas, também? Na verdade, estou em negociação com a divisão de TV paga do ABC Studios, através do Fake Empire, o mesmo pessoal de Gossip Girl. Pode vir uma série de TV por aí.

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